Hospital Anchieta: após mortes suspeitas, famílias vão acionar Justiça

Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, era uma das três pessoas que estavam internadas na UTI do Hospital Anchieta, em Brasília. Segundo as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal, o servidor público dos Correios e mais duas pessoas podem ter sido mortos após injeção de uma substância letal.

Três técnicos de enfermagem que trabalhavam no local são suspeitos da ação e estão presos. Desde que a família soube que Moreira não morreu por uma pancreatite aguda, mas por suspeita de homicídio, eles vivem um segundo luto.

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Vagner de Paula, advogado da família do servidor relata ainda que desde a morte dele, no dia 1º de dezembro de 2025, até hoje, a filha de 5 anos ainda pergunta pelo pai:

Quase um mês depois vem essa bomba de que seu filho não morreu naturalmente. Morreu assassinado. É um segundo luto e e a família mãe dele tá muito mal. [Ele] tem uma filhinha de 5 anos. Era um pai presente, então ela pergunta por ele. Como é que explica isso? Uma situação muito muito mesmo triste, sabe? A mãe não conseguiu falar com ninguém ainda.”

Outras vítimas

As outras duas vítimas foram a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, e o servidor da Caesb, Companhia de Saneamento de Brasília, João Clemente Pereira, de 63 anos. Segundo a filha de João Clemente, Valéria Leal Pereira, ele era uma pessoa muito alegre e o quadro de saúde estava melhorando:

“Onde ele passava tinha muitos amigos. Ele fazia amigos com facilidade, ele era muito família. Ninguém merece passar por isso, mas o meu pai, principalmente, não merecia ter morrido dessa forma. A polícia que tem que investigarTem que ser esclarecido e identificado para que mude alguma coisa no protocolo, para que essas mortes também não tenham sido em vão. não. Tem que ter segurança dentro do hospital.”

As defesas das famílias planejam entrar com diferentes ações judiciais. Elias Manoel Pereira Dias, advogado da família de João Clemente, dá mais detalhes sobre o caso:

O hospital, ele tem responsabilidade objetiva. O que significa que o hospital responde independente de culpa, né? Então, ele tem aquele dever de vigilância e os fatos ocorreram dentro do próprio hospital.”

O que diz o hospital

Em nota, o Hospital Anchieta informou que segue oferecendo apoio aos familiares das vítimas, destacou que foi um ato criminoso praticado por pessoas que agiram à margem da ética, da medicina e da lei e que a instituição segue colaborando com as investigações.

A AMIB, Associação de Medicina Intensiva Brasileira, define esse caso como isolado. Mesmo assim, a entidade defende que a classe médica e os órgãos públicos discutam mudanças nos protocolos de segurança dentro das UTIs, como explica Cristiano Franke, presidente da AMIB.

 

Todos esses protocolos devem ser revistos para ver se a gente tem possibilidade ainda de ofertar mais segurança. Todos os protocolos, no cuidado, na vigilância de toda equipe, no quantitativo da equipe e isso envolve várias entidades: as entidades médicas, as entidades reguladoras da vigilância sanitária…”

Segundo Cristiano Franke, além da quantidade de profissionais nas unidades, outro debate é o uso de câmeras em um formato que concilie segurança e privacidade:

“Temos algumas questões, por exemplo, se isso vai expor imagem dos doentes e se isso tem perigo de ser vazado do sistema que deve ser restrito do hospital. Hoje, as normas regem que precisa ter um enfermeiro para 10 leitos e um médico para 10 leitos. Isto talvez precisa de ser revisto também.”

Rio e Goiás

Hoje, não há uma lei federal sobre a instalação de câmeras em UTIs, mas, no município do Rio de Janeiro, já existe a obrigação de instalação desses equipamentos em Unidades privadas e públicas desde 2014 e, em Goiás, um projeto de lei está em andamento com o mesmo tema desde setembro do ano passado.


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