
A Copa do Mundo é para aproveitar o momento. Assim falou o ex-atacante Denílson, pentacampeão com a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2002. Ele é uma espécie de embaixador do Tour da Taça Fifa, que está passando pelo Brasil. O recado é para os jogadores que estarão na Copa do Mundo de 2026, que começa em 11 de junho. Denílson também falou sobre o técnico italiano Carlo Ancelotti e da importância de ser parte de um seletíssimo grupo de jogadores que estará no Mundial – e mais seleto ainda se for campeão. O Brasil conquistou cinco Copas do Mundo, em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
A Taça Fifa esteve em São Paulo nesta segunda-feira (23), como parte do Tour da Taça do Mundo. A ação é da Coca-Cola, uma das patrocinadoras da Copa do Mundo. Nesta terça-feira (24) o troféu estará no Rio de Janeiro e na quarta-feira (25) estará em Brasília. Pelos protocolos da Fifa, apenas jogadores campeões mundiais e chefes de estado podem colocar as mãos na taça sem o uso de luvas.
“O que posso dizer para esses jogadores atuais, com muita confiança e segurança no que eu vou dizer agora, é que aproveitem o momento com a Seleção Brasileira, porque esse momento vai passar”, disse Denílson. “O momento que eles olharem para trás, eles têm que olhar para trás e falar, poxa, que bacana que foi, ganhou ótimo, não ganhou, mas eu representei com tanta personalidade, eu joguei tão bem, infelizmente o resultado, a gente não controla o resultado”.
Denílson jogou as finais de Copa do Mundo de 1998, quando o Brasil perdeu o título para a França, e de 2002 quando a seleção foi campeão em cima da Alemanha. Em amas, ele entrou no decorrer da partida. “Eu tenho o privilégio de ter disputado duas finais de Copas do Mundo. Isso tem um peso e tem uma responsabilidade. Ele chegou a traçar paralelos entre as duas campanhas. “O trajeto de 98 foi muito legal, muito bacana e o final não foi feliz. E a gente tinha uma seleção tão boa quanto a de 2002. O processo para chegar em 2002 foi completamente diferente. A gente foi classificar já no finalzinho, nas eliminatórias. O Brasil todo cobrando muito a gente, Mas acho que teve um ponto muito importante naquela seleção brasileira, que a gente era muito parceiro um do outro. A gente se entendia no olhar, a gente respeitava o espaço um do outro. Então aquilo foi se criando dentro do ambiente da seleção uma confiança muito grande”.
O ex-atacante comparou o tipo de pressão que existia na época e existe atualmente. “Obviamente, a informação lá não chegava da forma que chega hoje. Hoje a informação chega muito rápido. Então a gente tinha um pouquinho mais de tempo de digerir aquela derrota, digerir aquele momento, antes de ouvir a crítica. Hoje a crítica já é simultânea”, afirmou. “Por isso que eu acho que os jogadores sentem um pouquinho mais essa pressão de representar a Seleção Brasileira”.
Peculiaridade
Denílson comentou uma peculiaridade em sua trajetória em Copas do Mundo. Ele soma 12 jogos em Mundiais, mas foi titular em apenas um – na derrota de 2 a 1 para a Noruega, em 1998. Nos outros 11, entrou no segundo tempo, inclusive nas finais de 1998 e de 2002. Para ele, é motivo de alegria, por estar no grupo e poder dar contribuição.
“Copa América (de 1997) eu jogava de titular, Copa das Confederações (de 1997) eu ganhei sendo o melhor jogador, jogando como titular, mas especialmente nas duas Copas do Mundo eu acabei ficando no banco de reserva. Me incomodou no começo? Poxa, me incomodou, porque eu vinha jogando bem, titular, e de repente na cereja do bolo, banco de reserva”, disse ele. “Mas eu entendi que eu estava ali num seleto grupo de jogadores, e que eu seria importante dentro do momento que eu ia ter pra jogar, 10, 15, 20 minutos, enfim. Então todos os momentos que eu entrava em campo como o 12º jogador, eu acho que eu deixava uma marca”.
Denílson contou que encontrou com o italiano Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, no Carnaval. “E eu perguntei para ele: você já tem o seu 12º jogador? Por que eu estou dizendo isso? Porque nem sempre aquela foto inicial é a foto do time campeão. Então é importante você se sentir importante, dentro desse coletivo”, afirmou. “Esse dado de jogador com mais jogos em Copas do Mundo saindo do banco de reserva, isso tem um significado muito grande. Porque eu não fui o titular na Copa do Mundo e estou sendo lembrado com um número com dado muito uma estatística muito interessante”, disse. “Então eu sou grato, mas eu lembro muito do meu esforço e do meu entendimento acima de tudo porque a vaidade no coletivo nesse momento de Copa do Mundo você tem que deixar ela de lado”.
Fonte Bem Paraná













