Paraná é o berço de três esportes no Brasil, um deles uma modalidade genuinamente curitibana

Marumbi1
O Conjunto Marumbi visto desde a Serra da Baitaca, em Quatro Barras: conquista da montanha, em 1879, marca o início do montanhismo no Brasil (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Conhecida, entre diversos outros epítetos, como a “capital do esporte”, Curitiba foi responsável pelo aparecimento de dois esportes no Brasil, entre eles uma modalidade 100% curitibana. Além disso, o Paraná também foi berço de uma terceira prática que se iniciou em Morretes, no litoral do Estado, e que embora não seja algo recente, ganha cada vez mais adeptos no país.

Um desses esportes é o futebol de saco, criado pelo curitibano Marcos Ofenbock por volta de 2007. A modalidade é uma mistura de futebol, futevôlei e tênis e reúne cerca de 200 praticantes em todo o Brasil, havendo até mesmo uma confederação brasileira própria.

O outro é o ciclismo. Como mostrou ontem o Bem Paraná, o esporte em si não é uma criação brasileira, mas Curitiba é considerada a primeira cidade a receber um clube de ciclismo no Brasil, o Radfahrer Club Curityba, criado em 1895. Dessa forma, a cidade pode ser considerada o berço da prática no país.

Finalmente, temos ainda o montanhismo. Um esporte que já era, naturalmente, praticado em outros lugares pelo mundo. No Brasil, contudo, a ideia de se subir montanhas com fins meramente esportivos surgiu primeiro no Paraná. Foi em Morretes, no litoral do Estado, onde Joaquim Olímpio Carmeliano de Miranda conquistou o Pico Olimpo, cume mais alto do Conjunto Marumbi, no dia 21 de agosto de 1879.

Abaixo, você confere mais detalhes sobre o surgimento de cada um dos esportes no Brasil e as suas raízes curitibana e paranaense.

Futebol de saco

FUTSAC
O curitibano Marcos Ofenbock foi quem organizou o Futebol de Saco como esporte competitivo (Foto: Franklin de Freitas)

A ideia de bater uma bola com um saco não é uma criação curitibana. Não à toa, Ofenbock, criador do Futebol de Saco, teve seu primeiro contato com a prática em 1998, na Austrália, através do footbag.

“Fiz intercâmbio na Austrália e um colega de quarto, que era da Nova Zelândia, me apresentou o footbag. Ele tirou um saquinho pequenininho, menor que as nossas bolinhas atuais, e ficou chutando. Achei um tesão aquilo e trouxe para cá”, contou ele em entrevista recente ao Bem Paraná.

Lá fora, contudo, o costume era se jogar sozinho, batendo a bolinha. Ofenbock já teve a ideia de criar uma versão mais competitiva, para jogar em círculo e brincar junto com mais pessoas.

“Eu e o meu irmão começamos a pegar uma rede com panos e ficávamos brincando, no final do dia, numa época em que eu tinha um restaurante no Centro”, relata o criador da marca Futsac, que atualmente trava uma briga judicial com a gigante Epic Games, produtora responsável pelo jogo Fortnite.

Hoje, o Futebol de Saco é um esporte oficialmente reconhecido pelo Ministério do Esporte desde 2014. Além disso, o esporte foi declarado a primeira modalidade curitibana e paranaense pela Câmara Municipal de Curitiba (CMC) e pelo Governo do Paraná, em 2016.

Ciclismo

ciclismo
Ciclistas praticam no Velódromo próximo do Jardim Botânico de Curitiba (Foto: Hully Paiva/SMCS)

Até perto do século XX, Curitiba era uma cidade com menos de 40 mil habitantes em cujas vias só se via circular pedestres, cavalos de montaria, caleças, carruagens de aluguel, charretes particulares e bondes de mulas. Isso até o final do século XIX, quando as primeiras bicicletas começaram a chegar na Capital. As magrelas, inclusive, foram a primeira condução mecânica da história curitibana, chegando à cidade pelo menos uma década antes do primeiro automóvel rodar pela cidade, em 1903.

O veículo sob duas rodas foi trazido ao Brasil por imigrantes, principalmente alemães e franceses. O responsável pela grande invenção moderna, inclusive, foi um alemão. Trata-se do barão Karl Von Drais, que foi quem criou o então chamado velocípede, em 1817.

A ideia da prática do ciclismo como esporte, no entanto, ocorreu após a chegada das primeiras magrelas ao país. E o primeiro clube de ciclistas do Brasil de que se tem notícia é de Curitiba: o Radfahrer Club Curityba, criado em 1895 – um ano antes do ciclismo debutar como competição no mundo, na primeira Olimpíada da era moderna, em Atenas.

O clube de ciclismo foi fundado por jovens de origem alemã e organizava passeios e expedições em bicicletas, realizava piqueniques e promovia reuniões sociais. Com o passar do tempo, também começou a promover corridas pela cidade, uma prática que ganhou muita forma na cidade no começo do século XX, antes do futebol começar a cair no gosto da população local.

Montanhismo

Olimpo
A vista desde o Pico Olimpo, cume mais alto do Conjunto Marumbi (Foto: Rodolfo Luis Kowalski)

Ao longo de mais de uma década, um homem sonhou e planejou subir uma grande montanha. Esse homem era Joaquim Olímpio Carmeliano de Miranda, que em 21 de agosto de 1879 finalmente conquistou o ponto mais alto do Pico Marumbi, um conjunto de montanhas que fica em Morretes, no Litoral do Paraná. Ele, que era morador da cidade litorânea, esteve acompanhado no feito de outros três morretenses: Antônio Silva, Antônio Mecias e Bento Manoel de Leão.

Hoje, o cume mais alto do Marumbi leva o nome de Pico Olimpo em homenagem ao seu primeiro desbravador. A data da conquista do Marumbi, por sua vez, se tornou o Dia Nacional do Montanhismo, após uma votação popular promovida pela Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CMBE). A data é relevante porque aquela foi a primeira vez que uma equipe de montanhistas no país subia uma montanha com fins meramente esportivos.

E o feito foi, realmente, grandioso. Além dos 10 anos de planejamento, Olímpio e seus companheiros tiveram de desbravar ao longo de cinco dias as encostas. Para a empreitada, tiveram ainda de carregar barracas de lona, sacos desengonçados para os suprimentos e beberam água dos rios e bromélias.

A presença do Marumbi, inclusive, causava fascínio desde tempos imemoráveis. Os primeiros habitantes do Litoral acreditavam que a montanha era um vulcão passivo, místico e poderoso, pois muitas vezes ‘soltava fumaça’ de seu topo. Também diziam que em seu cume havia uma linda lagoa dourada. Por isso, seu nome originário batizado pelos índios era “Guarumby”, que em tupi significa “Montanha Azul”. Além disso, o nome da cidade de Morretes é uma derivação da palavra “morro”, em referência justamente aos imponentes picos da cadeia do Marumbi.


Fonte Bem Paraná

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *