Lula diz que recebeu Vorcaro a pedido de Mantega

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que recebeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a pedido do do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. E que o encontro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, seria uma “investigação técnica” feita pelo Banco Central contra a instituição financeira do banqueiro, sem “posição política pró ou contra”.

O relato do encontro foi feito por Lula durante entrevista ao UOL, nesta quinta-feira (5). Segundo o presidente, na ocasião da conversa entre eles, o banqueiro disse que estava sendo alvo de “perseguição” e que “tinha gente interessada” em derrubá-lo. Vorcaro agora é investigado por um esquema bilionário de fraudes.

A eclosão da fraude do Master só aconteceu no fim de 2025, depois da reunião com Lula. Daniel Vorcaro chegou a ser preso pela PF (Polícia Federal) em novembro, mas foi solto no mesmo mês por decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região). O caso está no STF (Supremo Tribunal Federal).

“O que eu disse para ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central. Foi essa a conversa. ‘Você fique tranquilo que a política não entrará na investigação, o que vai entrar é a competência técnica do Banco Central para saber se está errado, se você quebrou, se não quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem’. E é isso que está sendo feito”, afirmou Lula.

Ao ser questionado sobre sua relação com o dono do Master, Lula afirmou que já recebeu “todos os bancos” neste mandato e que não havia “agenda marcada” com Vorcaro, sendo o encontro um pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

O presidente também afirmou que convidou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, “que é da Bahia, que conhecia ele”, para a reunião com o dono do Master. Depois da conversa, Lula disse ter chamado o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Galípolo e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conversar sobre o tema.

“Para que o Haddad contasse o que ele pensava do Banco Master, para que o Galípolo contasse a relação do Banco Master e para que a Procuradoria tentasse ajudar, porque nós estávamos diante da primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção, da lavagem de dinheiro nesse país”, afirmou.

“É uma chance extraordinária. Não me importa que envolva político, não me importa que envolva partido, não me importa que envolva banco. Quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade de dar um rombo, talvez o maior rombo econômico da história desse país.”

Essa não foi a primeira vez que o presidente Lula tratou sobre o caso Master.

No dia 23 de janeiro, Lula afirmou, em um evento em Maceió, que o pobre no Brasil é sacrificado “enquanto que um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, afirmando que a crise do banco evidencia as desigualdades financeiras no Brasil.

“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões, mais de R$ 40 bilhões, e quem vai pagar são os bancos, é o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica que vai pagar, é o Itaú”, disse Lula na ocasião.

Já na segunda (2), Lula fez um discurso no STF (Supremo Tribunal Federal), na abertura dos trabalhos do Judiciário, em que também disse que seu governo combate “magnatas do crime” e elogiou operações que miraram financiadores do crime organizado.

“Com a operação Carbono Oculto, o Poder Judiciário, a Polícia Federal e a Receita Federal chegaram aos mandantes do crime organizado. Magnatas do crime, que vivem no andar de cima, que não estão nas comunidades, e sim em alguns dos endereços mais nobres no Brasil e no exterior”, declarou.

A operação citada por Lula apurou crimes financeiros e lavagem de dinheiro que envolviam a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), gestoras da Faria Lima e o setor de combustíveis.

Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Vorcaro tem manifestado uma irritação cada vez maior com o presidente.

Em conversas com mais de um interlocutor, o ex-banqueiro afirma que o presidente tem ajudado a piorar sua situação jurídica e política com as declarações. A assessoria de Vorcaro nega as afirmações.

Na entrevista ao UOL, Lula também minimizou o contrato entre o escritório de advocacia do hoje ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski com Banco Master.

“O Lewandowski é um dos maiores juristas que este país já produziu. E todo e qualquer bom jurista é contratado por qualquer empresa que esteja em qualquer dificuldade”, disse o presidente. “Não tem problema nenhum, todo mundo trabalha para alguma empresa nesse país. Todo mundo”, completou Lula.

A contratação foi de 2023 a agosto de 2025. Ou seja, em parte do período em que o escritório foi remunerado pelo Master, Lewandowski era ministro. Ele se afastou do escritório durante seu período no Executivo. A estrutura ficou sob responsabilidade de familiares do ex-ministro.


Fonte Bem Paraná

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