
Neste domingo (14 de dezembro), a Boca Maldita, no Centro Histórico de Curitiba, será palco do ato Curitiba na Rua, uma manifestação organizada por setores da esquerda contra a anistia para golpistas, o Marco Temporal e em defesa do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). O protesto também inclui críticas à escala de trabalho 6×1, que voltou ao debate após movimentações no Senado.
A convocação ganhou força nas redes sociais desde quarta-feira (9), logo após a votação de projetos de lei polêmicos, como o PL da dosimetria (redução de penas dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado). O ato será realizado simultaneamente em São Paulo, Rio de Janeiro e pode se estender para outras capitais, repetindo o cenário visto em setembro, quando manifestações ocorreram em 23 estados contra a anistia e a chamada PEC da Blindagem.
Diversos nomes políticos já divulgaram o ato pelas redes sociais. O perfil nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) também chamou militantes às ruas, utilizando lemas como “Congresso inimigo do povo” e “Povo nas ruas”. O movimento nacional aponta como alvos principais o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União).
Entenda os quatro pontos da manifestação em Curitiba
A anistia é um perdão concedido por lei que impede punições administrativas ou judiciais, mas não pode ser aplicada a crimes hediondos, tortura, tráfico e terrorismo. Setores da esquerda rejeitam a ideia de anistiar os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, argumentando que se tratou de um ataque direto à democracia e não de um delito político comum.
Para esses grupos, conceder anistia agora repetiria o erro histórico da transição pós-ditadura militar, quando a falta de punição a agentes do Estado é vista por eles como um precedente que favoreceu novas tentativas de ruptura democrática.
O Marco Temporal determina que terras indígenas só podem ser demarcadas se estivessem ocupadas em 5 de outubro de 1988. A esquerda, movimentos indígenas e o Supremo Tribunal Fedderal (STF) criticam a tese por considerar que ela desconsidera expulsões históricas, viola a Constituição e ameaça a sobrevivência de comunidades. A medida também é apontada como potencial geradora de conflitos fundiários.
A defesa da permanência de Glauber Braga no Congresso é um dos motes do ato. O deputado é identificado como uma das vozes mais combativas da esquerda, frequentemente em oposição a privatizações, acordos econômicos e políticas de segurança consideradas conservadoras. Sua atuação próxima a movimentos sociais e sua pressão para manter debates à esquerda fazem dele uma figura central no PSOL.
Braga, no entanto, responde a um processo interno por quebra de decoro após empurrar e chutar um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) em abril de 2024, o que pode levar à perda de seu mandato.
Outro tema presente no ato é a reação à decisão da CCJ do Senado, que aprovou na quarta-feira (10) uma PEC que prevê o fim da escala 6×1, sistema que determina seis dias de trabalho para um de descanso. O texto agora segue para votação no plenário e reacende discussões sobre jornada laboral e direitos trabalhistas no país.
Fonte Bem Paraná