Vereadores debatem alterações na Lei do Silêncio; veja o que pode mudar

câmara de curitiba publica edital publicidade
Câmara de Curitiba. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC

Vereadores da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) debatem sobre alterações na Lei do Silêncio, que está em vigor desde 2002. O projeto de lei é de autoria da vereadora Indiara Barbosa (Novo) e do vereador Pier Petruzziello (PP). 

A proposta está em tramitação nas comissões permanentes da Casa e promove alterações em critérios técnicos de medição sonora, regras de licenciamento ambiental e no sistema de penalidades aplicadas em casos de infração. O projeto de lei que altera dispositivos da lei municipal 10.625/2002 busca equilibrar o direito ao sossego com atividades econômicas, culturais e de lazer desenvolvidas na cidade.

Critérios técnicos para medição do ruído urbano

Um dos principais pontos da proposta é a atualização da forma como a poluição sonora é medida em Curitiba. Atualmente, a legislação considera apenas o ruído emitido pela fonte fiscalizada, sem levar em conta o contexto sonoro do entorno. O projeto passa a exigir a consideração do ruído de fundo, ou seja, o som ambiente preexistente no local da medição.

Pela nova regra, quando o ruído de fundo já ultrapassar os limites legais, esse patamar passa a ser adotado como referência, acrescido de 5 decibéis (dB). A medida busca alinhar a Lei de Perturbação do Sossego às normas técnicas vigentes e reduzir distorções na fiscalização em áreas com intenso tráfego ou concentração de atividades urbanas.

Licenciamento ambiental e atividades econômicas

O texto também propõe mudanças nas exigências de licenciamento ambiental. Bares, restaurantes e estabelecimentos similares que já possuam alvará regular de funcionamento deixam de ser obrigados a obter licenciamento ambiental adicional apenas para sonorização ambiente ou apresentações musicais de menor impacto.

A exigência de licenciamento permanece para eventos de grande porte ou situações que possam gerar impacto sonoro relevante. A intenção, segundo a justificativa do projeto, é eliminar exigências consideradas redundantes, sem abrir mão do controle e da fiscalização do poder público.

Regras específicas para polos gastronômicos

A proposta cria tratamento diferenciado para polos gastronômicos oficialmente reconhecidos por lei municipal. Nesses locais, o período vespertino poderá se estender até 23 horas às sextas-feiras, aos sábados e nas vésperas de feriados, com acréscimo de até 5 dB nos limites de emissão sonora durante os períodos diurno e vespertino. As regras não se aplicam ao período noturno e são restritas aos estabelecimentos regularmente instalados nos polos definidos em legislação específica. Fora dessas áreas, permanecem válidos os limites gerais previstos na lei.

Penalidades e valores das multas

O projeto altera de forma significativa o regime de penalidades, adotando caráter educativo e gradativo. A primeira infração poderá resultar em notificação orientativa, com prazo para adequação, antes da aplicação de multa. As multas passam a ser graduadas conforme a gravidade da infração, com valores que variam de R$500 (infrações leves) até R$10 mil (infrações gravíssimas), podendo ser majoradas em casos de reincidência. Em situações reiteradas ou de descumprimento continuado, o texto prevê sanções mais severas, como a cassação do alvará de funcionamento, sem prejuízo de outras medidas administrativas cabíveis.

Lei do Silêncio em Curitiba: o que diz a lei atual e o que muda com o projeto

TEMA LEI VIGENTE (lei municipal 10.625/2002) PROJETO EM TRAMITAÇÃO (005.00785.2025)
Critério de medição do ruído Considera apenas o ruído emitido pela fonte fiscalizada, sem levar em conta o som ambiente do entorno. Passa a considerar o ruído de fundo. Quando ele já ultrapassar o limite legal, esse patamar será adotado como referência, acrescido de 5 dB(A).
Adequação às normas técnicas Regras consideradas defasadas frente às normas técnicas atuais. Atualiza os critérios de medição, alinhando a legislação municipal às normas técnicas vigentes (ABNT).
Licenciamento ambiental Exige licenciamento ambiental adicional para sonorização ambiente e apresentações musicais, mesmo em estabelecimentos já regularizados. Dispensa licenciamento ambiental extra para bares e restaurantes com alvará regular, mantendo a exigência para eventos de grande porte.
Atividades culturais e musicais Trata de forma uniforme eventos de diferentes portes, sem diferenciação clara. Diferencia apresentações de menor impacto de eventos de grande porte, simplificando regras para atividades culturais regulares.
Polos gastronômicos Não prevê tratamento diferenciado para regiões com vocação econômica específica. Cria regras próprias para polos gastronômicos definidos em lei, com extensão do período vespertino até 23h e acréscimo de 5 dB(A) nos limites sonoros em dias específicos.
Período noturno Mantém restrições gerais de emissão sonora. Mantém as restrições noturnas, mesmo nos polos gastronômicos.
Sistema de penalidades Multas aplicadas já na primeira infração, com pouca gradação. Introduz notificação educativa inicial e graduação das penalidades conforme a gravidade da infração.
Valores das multas Valores fixos, com menor diferenciação entre tipos de infração. Multas variam de R$ 500 a R$ 10 mil, podendo ser majoradas em caso de reincidência.
Medidas mais severas Prevê sanções administrativas, sem detalhamento progressivo. Mantém sanções mais graves, como cassação do alvará, para casos de reincidência ou descumprimento continuado.
Objetivo da legislação Ênfase punitiva e controle genérico do ruído urbano. Ênfase em equilíbrio entre direito ao sossego, atividade econômica e vida cultural, com maior segurança jurídica.

Equilíbrio entre sossego e atividades culturais

Na justificativa, Indiara Barbosa e Pier Petruzziello afirmam que a atualização da lei busca superar conflitos recorrentes entre moradores, empreendedores e o poder público. Para ambos, a legislação atual não reflete mais a realidade urbana de Curitiba, marcada pela ampliação de atividades culturais, gastronômicas e de lazer em diferentes regiões da cidade.

O projeto sustenta que a modernização das regras pode incentivar a regularização de empreendimentos, fortalecer a economia criativa e garantir maior segurança jurídica, mantendo mecanismos eficazes de proteção ao sossego público.


Fonte Bem Paraná

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *