
A utilização indevida da Inteligência Artificial deve ser o maior desafio que a Justiça Eleitoral terá pela frente durante as eleições gerais de 2026. É isso o que acredita o desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). Ainda segundo ele, apesar do desafio ser grande, a Corte já está preparada para fazer frente à divulgação de vídeos e conteúdos falsos ou enganosos. Mas para isso, precisará contar com o auxílio dos eleitores, também.
Segundo o magistrado, o foco de sua gestão no biênio 2026-2027 será na efetividade da eleição. A ideia, então, é trabalhar para que o eleitor possa exercer da melhor maneira o seu voto, encarando menos filas para tirar ou regularizar o título de eleitor (o que pode ser feito até o dia 6 de maio) e também na hora de ir às urnas efetivamente, em outubro.
“Foco na eleição pura mesmo, esse é o objetivo. Diminuir a fila de votação, diminuir a fila para quem quer tirar ou regularizar o título, acelerar o julgamento dos processos eleitorais, para que a justiça seja mais rápida e séria”, declarou Falavinha Souza em entrevista exclusiva ao Bem Paraná.
Ainda de acordo com ele, o Tribunal também já está preparado para lidar com a inteligência artificial, que promete vir forte pro pleito deste ano. É que o TRE-PR já criou um software para combater a IA utilizando… a própria IA! A ideia, em suma, é que os eleitores procurem a Corte através de seus canais oficiais (entre eles o sistema Gralha Confere) para descobrir se um determinado vídeo, áudio ou imagem é real ou não. Ainda assim, a participação e conscientização dos próprios eleitores segue sendo uma parte fundamental do processo.
“O Tribunal criou um programa de software de inteligência contra falsa informação. Se a pessoa recebe um vídeo ou um áudio e tem dúvida de sua legitimidade, pode encaminhar para os canais do Tribunal que nós vamos analisar esse material e responder ao eleitor se ele tem pertinência, se é real ou não aquilo. Mas hoje o grande problema são os grupos de WhatsApp, com circulação fechada, que o TRE-PR não tem como controlar. Aí, o que eu peço ao eleitor? Recebendo um vídeo espalhafatoso, exagerado, se tem alguma dúvida, achou algo suspeito, não repassa. Espera, manda para nós o material e não repassa pra frente. Espera para ver o que vai acontecer e evite que a má informação seja divulgada”, diz.

Paraná quer se consolidar como o quinto maior colégio eleitoral do país
No final de 2025 o Paraná ultrapassou o Rio Grande do Sul e se tornou o quinto maior colégio eleitoral do país. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, em janeiro o estado somava 8,44 milhões de eleitores, logo a frente do Rio Grande do Sul, com 8,42 milhões. Em todo o país, apenas São Paulo (33,59 milhões), Minas Gerais (16,15 mi), Rio de Janeiro (12,68 mi) e Bahia (11,12 mi) possuem mais pessoas aptas a votar do que o Paraná. A expectativa, comenta ainda Falavinha Souza, é que até 6 de maio, quando encerra o prazo pros eleitores regularizarem a situação eleitoral, o número de eleitores paranaenses chegue a, pelo menos, 8,6 milhões, número registrado no último pleito, em 2024.
“Isso [Paraná se tornar o 5º maior colégio eleitoral] é fruto do trabalho bem feito das últimas gestões do TRE. Inclusive, quem quiser já pode procurar sua zona eleitoral para regularizar a situação. Transferência de título dá para fazer pelo site, pelas centrais de atendimento”, informa o presidente do TRE-PR, que destaca ainda a importância do contingente de eleitores no estado. “O Paraná ter se tornado o quinto maior colégio eleitoral do país aumenta a responsabilidade do estado. Você se torna referência no Brasil acerca dos destinos que a nação terá. E isso também mostra o interesse do eleitor paranaense em participar ativamente do seu futuro”, emenda ainda ele.
Concurso de Jovem Eleitor no TikTok terá prêmios de até R$ 8 mil
Para superar a marca de 8,6 milhões de eleitores em 2026, a Corte prepara uma série de iniciativas para convocar aqueles que precisam fazer ou regularizar o título de eleitor. Uma delas será lançada na próxima semana e será um Concurso de Jovem Eleitor no TikTok, feito em parceria com a seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR). Quem participar vai ainda concorrer a premiações em dinheiro: R$ 8 mil para o primeiro lugar, R$ 5 mil para o segundo e mais um valor um pouco menor para o terceiro.
“A ideia é que os usuários façam vídeos para o TikTok incentivando o eleitor jovem a votar. O melhor vídeo vai ganhar essa premiação e o TikTok, pela extensão que ele tem no mundo jovem, vai ajudar a aumentar bastante a participação da juventude”, aposta o desembargador, que também faz um apelo aos eleitores. “Peço para que ele regularize o título e vote. Se você não escolher o seu candidato, vão acabar escolhendo por você. Depois é difícil, daí não adianta reclamar do que aconteceu. Então, é o dever daquele que quer um bom destino ao seu país, ao seu estado, eleger, indicar o seu candidato e votar nele para que isso seja a vontade da maioria da população.”
Um apaixonado pelo direito desde a infância
Luciano Carrasco Falavinha Souza é natural de Curitiba e formou-se em Direito em 1997, na Faculdade de Direito de Curitiba. No ano seguinte, em 1998, já ingressou na magistratura. E o Direito, para ele, é mais do que uma profissão, mas sim uma vocação. “O Direito não veio de família, mas eu quis a vida inteira isso. Crianças e adolescentes costumam ter aquela dúvida do que vai fazer quando for pra universidade, mas eu nunca tive essa dúvida, sempre quis o Direito. Sempre, desde criança. Era algo meu essa vontade, que não sei como surgiu. Era algo natural, coisa minha mesmo”, conta ele.
Juiz há 28 anos, ele chegou ao cargo máximo da magistratura, o de desembargador, há três anos. O Direito Eleitoral, por sua vez, é algo que faz parte de sua trajetória já há algum tempo. Ele foi eleito membro substituto da Corte Eleitoral em 2009 e membro efetivo em março de 2011. Também atuou como juiz eleitoral nos municípios de Faxinal e Goioerê e exerceu as funções de juiz auxiliar nas eleições de 2010. Entre julho de 2023 e julho de 2025, compôs a Corte do TRE-PR como desembargador substituto.
“Sempre gostei de direito eleitoral, desde antes da faculdade. Quando eu era criança já acompanhava eleições: a eleição dos 12 dias do Lerner acompanhei de perto, depois a do Rafael Greca, que ganhou do Fruet Forte. E isso tudo antes de eu me formar. Me formei em 1997 e passei no concurso para juiz já em 1998”, recorda ele. “Desde o início [da carreira na magistratura] participei de várias eleições, como juiz de trânsito inicial no interior. Depois, no TRE, fui juiz e desembargador da Corte, e agora assumi a presidência.”
Fonte Bem Paraná