Políticos criticam pedágio eletrônico em estradas do Paraná e temem milhares de demissões

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Também conhecidos como pórticos eletrônicos ou pedágio free flow, os sistemas possibilitam que a cobrança das tarifas seja realizada de forma automática (Foto: Divulgação/EPR)

A instalação de pedágios eletrônicos no Paraná se tornou um dos assuntos mais comentados na Assembleia Legislativa (Alep) na retomada dos trabalhos, nesta semana. De maneira geral, o tom foi de crítica por parte dos deputados estaduais, que apontaram que a instalação de pórticos nas regiões Norte e Noroeste do Paraná teriam finalidade meramente arrecadatória e ainda ameaçariam milhares de empregos.

Também conhecidos como pórticos eletrônicos ou pedágio free flow, os sistemas possibilitam que a cobrança das tarifas seja realizada de forma automática, sem a necessidade de praças e cancelas. Equipamentos como câmeras e sensores bastam para detectar a passagem do veículo e realizar a cobrança, por meio da identificação das placas ou de tags.

Na sessão de segunda-feira (2 de fevereiro), por exemplo, dez parlamentares que integram tanto a base quanto a oposição elencaram problemas na implementação do sistema no Estado. Entre as críticas estão a discrepância entre a localização dos pórticos eletrônicos e as praças físicas e os possíveis impactos para moradores lindeiros, que podem pagar tarifa cheia em deslocamentos curtos. Informações repassadas aos usuários indicam que a tarifa poderá ser integral, e não proporcional ao trecho percorrido.

“Finalidade meramente arrecadatória”, criticam parlamentares

“Não somos contra instalar um instrumento para dar agilidade nas praças de pedágio. Agora, deslocar um ponto de cobrança, às vezes em três ou quatro quilômetros [da praça de pedágio física], com uma clara finalidade arrecadatória, colocando isso na entrada ou na saída da cidade, não é razoável”, ressaltou o deputado Evandro Araújo (PSD), primeiro a abordar o tema na sessão de segunda-feira. Ele aponta que a instalação do sistema free flow não estava prevista no Programa de Exploração da Rodovia (PER), documento responsável por definir as condições técnicas para a instalação de praças e pórticos. “A única finalidade é arrecadar. Esse novo modelo de pedágio contava (no edital) com a latitude e a longitude da praça de pedágio. Para mudar, é necessária uma justificativa clara”, complementou Tercilio Turini (MDB).

Os deputados ainda trataram de ilustrar como as alterações afetam, na prática, a vida dos cidadãos. E usaram como o exemplo o caso de Rolândia, onde a praça de pedágio que ficava em Arapongas foi desativadas e puxada para a outra cidade. “Tudo isso para captar todo o tráfego local do Parque Industrial de Rolândia. É para aumentar a receita e reduzir a despesa”, exemplificou o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD), que também tratou do impacto sobre os funcionários do serviço. “São milhares de empregos que serão cortados.”

Deputado da oposição “aponta o dedo” para Bolsonaro e colegas governistas

O deputado Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição, denunciou que os contratos firmados com as concessionárias começaram a ser celebrados ainda na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram debatidos pela Alep e receberam a adesão de deputados que hoje se colocam contrários à implementação do pedágio eletrônico. “Tenho a mesma indignação contra a história do pórtico, contra a mudança de local e outras lambanças que vão fazer contra a população paranaense”, pontuou. “Temos que unir forças.” “Se (os deputados) se arrependeram, confessem que foram enganados e acreditaram numa grande mentira”, criticou Requião Filho (PDT).

Alep cobra explicações da ANTT e governo se coloca contra mudanças

O presidente da Alep, deputado Alexandre Curi (PSD), anunciou na sessão plenária desta segunda-feira (2) que a Casa Legislativa encaminhará um ofício cobrando explicações sobre a instalação de pedágios eletrônicos no Estado. “Todos os parlamentares podem assinar e, amanhã cedo, a presidência encaminhará para a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o TCU (Tribunal de Contas da União) e o Ministério dos Transportes”, frisou o líder do Legislativo.

Já o deputado Hussein Bakri (PSD), líder do governo na Alep, frisou que o tema é tratado de forma prioritária pelo Executivo. “O secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex, está reunido com a empresa. O governo do Estado tem uma posição oficial contrária a esse procedimento. Entende que é lesivo aos interesses públicos. Ele vai fazer a sua parte. Mas o governador não pode ‘canetear’; quem deve fazer isso é a ANTT”, ponderou. “Não podemos aceitar que eles alterem a localização dos pórticos de cobrança de forma irresponsável”, completou o vice-líder do Governo, deputado Marcelo Rangel (PSD).


Fonte Bem Paraná

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