João Fonseca tenta deixar lesão para trás e estreia no 1º Grand Slam do ano

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João Fonseca (Reprodução/X/Miami Open)

O tenista João Fonseca, 19, inicia oficialmente neste fim de semana, contra o norte-americano Eliot Spizzirri (89º do ranking da ATP, a associação dos tenistas profissionais), a temporada 2026. E será no Australian Open, o primeiro tornmeio de Granbd Slam do ano.

Atual 29º colocado do ranking, Fonseca luta contra um incômodo problema crônico na região lombar. E terá o desafio de superar o período de inatividade justamente no torneio que o catapultou ao cenário internacional no ano passado. Ele estreou derrotando o russo Andrei Rublev, número 9 do mundo na ocasião.

A partida contra Spizzirri ainda terá seu horário confirmado pela organização, mas ocorrerá no segundo dia de disputas, a segunda-feira (19) da Austrália. Essa rodada terá início no horário de Brasília na noite de domingo (18), às 21h.

No caso de João, segundo Luís Stival, “a grande dúvida é de como vai estar, tendo em vista que desistiu de dois torneios”. “A fase técnica dele é muito boa, o potencial é gigantesco, e a projeção para o ano, melhor ainda. Acredito que brigará, no mínimo, por top 15 em 2026”, disse à Folha o comentarista da CazéTV e responsável pelo canal de YouTube Tênis Além do Óbvio.

A lesão que colocou em risco até mesmo a participação de Fonseca no Grand Slam levou o jogador a desistir dos ATPs 250 de Brisbane e de Adelaide, também em solo australiano, além de ter provocado ausência da lista de convocados para o duelo do Brasil contra o Canadá, pela Copa Davis.

O problema chamado por especialistas de “coluna retificada” não é novo para o atleta, detectado ainda quando ele era juvenil. Em entrevista recente, o tenista deu declarações que preocuparam torcedores, afirmando ter nascido com “algo nas costas” e que “às vezes a região fica mais rígida”.

“Todo jogador de alto rendimento tem lesões e leva o corpo ao limite o ano inteiro. No caso do João, o que me preocupa é o fato de estrear em uma melhor de cinco sets, o corpo sempre fica muito dolorido. O lado bom é que o padrão de jogo dele precisa de menos ritmo do que outros tenistas, dos que são de consistência, porque tem potência, tem saque e consegue definir mais rapidamente os pontos”, afirmou Ricardo Accioly, o Pardal, ex-técnico de Fernando Meligeni e Marcelo Ríos.

Pardal ainda apontou o fato de jogadores de alto rendimento possuírem maior resiliência para suportar dor, relembrando o último título conquistado por Pete Sampras em Wimbledon, em 2000.

“O fisioterapeuta de Sampras, meu amigo pessoal, conta que ele estourou a panturrilha logo na segunda rodada. Mesmo assim, seguiu. Fazia os jogos e ficava off durante todo o tempo. Foi campeão sem sequer fazer treinos leves”, recordou Accioly.

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, João Fonseca disse estar sentindo-se de maneira melhor, mas citou a necessidade de cuidados: “Preciso respeitar meu corpo e tomar a decisão certa porque tenho uma longa carreira pela frente”.

“Acredito que, se está inscrito no Australian Open, seguramente tem 100% de condições de jogar o torneio. Caso contrário, a equipe dele, que é muito profissional, não se arriscaria”, disse Patrícia Medrado, ex-tenista, a brasileira com mais tempo no top 100 da WTA (a associação das tenistas profissionais).

“Não foi nenhuma pausa muito prolongada também. Hoje em dia, com muito fortalecimento, cuidado e, principalmente, uma boa administração de carreira, isso não vai atrapalhar. Há diversos exemplos de atletas com lesões crônicas, que conviveram com a dor: Novak Djokovic, Andy Murray, Del Potro… Mais antigamente houve o Stan Smith, que mudou seu estilo de saque por causa de um problema no cotovelo. A questão é fazer as melhores escolhas”, acrescentou Medrado.

Adversário da estreia, Spizzirri chegou recentemente ao top 100 e já cruzou o caminho de Fonseca em 2024. O norte-americano levou a melhor na ocasião, em jogo válido pela terceira rodada do “qualifying” do US Open -o americano venceu por 2 sets a 1: 7/6 (8), 6/7 (5) e 6/4.

Aos 24 anos, ele competiu em dois torneios nesta temporada. Em Brisbane, acabou eliminado ainda no “qualifying” pelo francês Quentin Halys. Em Auckland, teve vitórias relevantes sobre o argentino Juan Manuel Cerúndolo e o português Nuno Borges. Foi eliminado nas quartas pelo húngaro Fabian Marozsan.

“Spizzirri é um jogador constante, fisicamente muito forte. É o que chamamos de ‘pace absorber’, o adversário que sabe absorver impactos, que joga bem com o peso da bola que vem. Esse é um estilo de jogo com que o João não costuma ter dificuldades. Mas, como ele não está com tanto ritmo, se o jogo se arrastar para o campo físico, poderá ser um problema”, analisou Stival.

Caso avance no torneio, Fonseca, cabeça de chave em um Slam pela primeira vez na carreira, terá na segunda rodada o vencedor do jogo entre o italiano Luca Nardi (108º )e um jogador vindo do “qualifying”. Depois, poderá encontrar na terceira fase o italiano Jannik Sinner, número dois do mundo.

“A possibilidade me assusta, mas o Sinner assusta qualquer um porque tem um nível estratosférico de tênis, é o atual bicampeão do torneio e está invicto. Por outro lado, é uma coisa que o João quer e deseja no âmago dele. O mundo do tênis pararia para assistir”, disse Stival.

Em recente entrevista à Folha, o ex-tenista Thomaz Bellucci avaliou que Fonseca já possuía nível técnico para enfrentar nomes como Sinner, Djokovic e Carlos Alcaraz, contra quem jogou em dezembro durante um evento de exibição em Miami.

BIA HADDAD ESTREIA CONTRA CAZAQUE

A brasileira Beatriz Haddad Maia entrará em quadra logo na primeira leva de partidas da chave principal, às 21h (de Brasília) de sábado (17). Atual número 59ª do mundo, ela medirá forças com a cazaque Yulia Putintseva, 105ª do ranking. O jogo abre a programação da quadra 6.


Fonte Bem Paraná

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