
O senador Flávio Bolsonaro convocou para esta quarta-feira (25) uma reunião para promover um freio de arrumação no PL, após uma série de disputas internas na sigla se tornarem públicas. O pré-candidato à Presidência, segundo aliados, quer deixar clara a hierarquia da campanha e por fim às contendas envolvendo familiares e lideranças da legenda. Ele nega que haverá “puxão de orelha”.
Flávio tem um encontro às 15h, na sede do PL, com as bancadas do partido na Câmara e no Senado. Segundo interlocutores, há uma expectativa de enquadramento, principalmente para que lideranças que visitem o ex-presidente Jair Bolsonaro na cadeia não deem declarações desencontradas sobre candidaturas nos estados.
Interlocutores afirmam que Flávio quer organizar a casa e estancar as brigas, impondo ordem. Como mostrou a Folha, lideranças do centrão consideram que as disputas internas na família Bolsonaro e no PL atrapalham negociações e arranham a imagem de moderado que o senador tenta construir.
Apesar disso, Flávio nega que o encontro ocorrerá para dar uma bronca nos colegas de partido. “Começa a botar a palavra na minha boca, não é puxão de orelha. Acho que é para mais uma vez apresentar, […] dizer para todos eles que a nossa ideia é conversar com as lideranças de cada estado para tomar as decisões corretas”, disse.
O senador completou: “É mais um gesto de respeito a eles do que ao contrário. […] Eu quero que eles se sintam cada vez mais pertencendo a esse projeto. […] Não adianta votar só no presidente da República. Tem que votar também senadores e deputados que estejam 100% alinhados com a gente. Então vai ser mais nesse nível a conversa”
Nos últimos dias, Flávio viu seus irmãos atacarem publicamente figuras centrais no partido. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) criticou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), enquanto o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) discutiu com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
Segundo uma pessoa próxima a Flávio, o senador aproveitará os próximos dias para tentar colocar ordem na sigla. A ideia é deixar claro que Bolsonaro o escolheu como novo capitão e que a direção será dada por ele. Ou seja, o senador tentará centralizar as informações e decisões.
Antes, Flávio já atuou para mediar brigas internas. Conteve as farpas do irmão Eduardo contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi cotado para disputar o Planalto. Agora, segundo interlocutores, também trabalha para dirimir a contenda do ex-deputado com Nikolas Ferreira.
Flávio e Nikolas estarão juntos na manifestação bolsonarista convocada para o próximo domingo (1º), num gesto que visa sinalizar união após Eduardo acusar o deputado de não se dedicar à pré-campanha do senador.
Aliados também acreditam que uma resolução da disputa entre Carlos e Valdemar será possível. Sobre Michelle, acreditam que é preciso “dar tempo ao tempo”, diante do que consideram ser uma “mágoa” da ex-primeira-dama por ter ficado às escuras no processo que levou Flávio a ser anunciado como candidato de Bolsonaro.
SANTA CATARINA
Segundo lideranças do PL, Flávio terá ainda um encontro em separado com o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e os pré-candidatos a senador pelo PL no estado, o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro e a deputada Caroline de Toni. A bancada catarinense também deve participar.
A ideia é pôr fim às divergências do PL em Santa Catarina. Bolsonaro embaralhou o xadrez catarinense ao deslocar Carlos, ex-vereador do Rio de Janeiro, para disputar o senado no estado. Jorginho Mello queria apoiar a reeleição de Esperidião Amin (PP), mas o ex-presidente escolheu como candidatos o próprio filho e a deputada Caroline de Toni, que tem o apoio também de Michelle.
Caciques do PP têm colocado o apoio do PL à reeleição de Esperidião como um pré-requisito para uma eventual adesão nacional da sigla à campanha de Flávio.
Após o encontro com as lideranças de Santa Catarina, é esperada um anúncio oficial da chapa que disputará a eleição no estado com apoio de Flávio. Seria um encontro nos mesmos moldes da reunião do senador com lideranças do Rio de Janeiro, que terminou com o anúncio dos nomes que disputarão a eleição majoritária.
Fonte Bem Paraná