
As mulheres serão maioria na Maratona Internacional do Paraná (MIP), marcada para os dias 2 e 3 de maio, no Litoral do Paraná. Isso é exemplo de que a presença feminina nas corridas de rua deixou de ser projeção e passou a ser um dado concreto.
Na MIP, as mulheres somam 51% dos 18 mil inscritos nas provas de 5k, 10k, 21k e 42k. O percentual chama atenção em um evento de grande porte e confirma uma mudança visível nas ruas: mais mulheres estão se inscrevendo, treinando e participando das grandes provas. Não se trata de um recorte isolado, mas de um movimento que atravessa diferentes idades e perfis.
O cenário local acompanha o que já se observa no país. De acordo com o estudo Por Dentro do Corre, da Olympikus, o Brasil chegou a 15 milhões de corredores em 2025, dois milhões a mais do que no ano anterior, o que representa crescimento de 15%. Hoje, a corrida é o quarto esporte mais praticado no país, com 14% de adesão. Dentro desse universo, as mulheres passaram a representar 50% dos praticantes, oito pontos percentuais a mais do que em 2024.
Para a corredora Rosangela Vieira, de 48 anos, que se prepara para sua 17ª maratona, a motivação para encarar as longas distâncias vai além dos treinos. “É uma experiência intensa, física e emocional. A gente aprende a lidar com dor, cansaço e insegurança e, ainda assim, seguir em frente. É descobrir que consegue ir muito além do que imaginava”, afirma.
Para ela, o crescimento feminino nas corridas de rua tem explicação clara. “Para muitas de nós, correr é mais do que esporte. É saúde mental, autocuidado, superação e empoderamento. Isso faz com que cada vez mais mulheres queiram estar na largada”, diz a maratonista.
Na organização do evento, a leitura é estratégica. Fernanda Nápoles, que integra a equipe da prova e também é corredora, afirma que a maioria feminina entre os inscritos não surpreende. “A corrida de rua tem atraído cada vez mais mulheres, mais jovens e de perfis diversos. As pesquisas mostram isso e nós percebemos esse movimento na prática. Na nossa prova, as mulheres já são maioria”, diz.
Segundo a organizadora, o desafio agora é transformar esse dado em experiência. “Não se trata de fazer um evento voltado apenas para mulheres, mas de reconhecer um movimento real e traduzir isso na forma como pensamos a prova. Queremos valorizar essa presença, fortalecer o sentimento de pertencimento e respeitar a jornada de cada corredora”, acrescenta.
Para Fernanda, a Maratona Internacional do Paraná se consolida como um retrato dessa mudança no perfil do esporte. “A largada deste ano deve refletir um cenário que já se observa em todo o país: as mulheres ampliaram sua presença e assumem papel cada vez mais protagonista nas corridas de rua”, completa.
Fonte Bem Paraná