Prefeito de Campina Grande do Sul diz que oferecer infraestrutura mina a violência

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“Eu gosto de ir até a casa dos moradores, para conversar, saber o que está acontecendo” (Divulgação)

Para os moradores de Campina Grande do Sul, município da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), encontrar o prefeito Luiz Carlos Assunção (PSB) no comércio local e nas unidades básicas de saúde (UBS) – bem cedinho – já se tornou rotina. Ele faz questão de verificar, pessoalmente, como está o dia a dia da cidade, o andamento das obras, ouvindo reivindicações e conferindo o atendimento das demandas da população. Desde que tomou posse, há pouco mais de dez meses, adquiriu o hábito de anotar tudo para ter certeza que nada cairá no esquecimento. Chega sozinho, sem avisar, dirigindo o próprio carro. Não gosta, e evita formalidades.

Nesta entrevista, exclusiva ao Bem Paraná, o prefeito Luiz Assunção, que nasceu em Santa Catarina, veio ainda adolescente para o Paraná, fala sobre como enfrentou os problemas de segurança e os planos para a cidade, que viu crescer e guarda no coração. Ele também analisa o futuro do Paraná, a escolha do novo governador – o sucessor de Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) – que acontecerá daqui a menos de um ano, no dia 4 de outubro de 2026. Sem rodeios, com a experiência política de quem aos 70 anos está exercendo o terceiro mandato, critica a polarização da política nacional, por entender que não traz resultados positivos a ninguém, muito menos para os cidadãos. Confira:

Bem Paraná – A segurança pública é um dos setores que mais preocupa a população brasileira. Como está a segurança na cidade?

Prefeito Luiz Assunção – A segurança é o pilar da tranquilidade. É tudo! Ela faz as pessoas pensarem e se desenvolverem. Então, nós investimos muito na Guarda Municipal e temos uma boa relação com o 29 (29º Batalhão de Polícia Militar). Eles atuam em conjunto, utilizando tecnologia, com o objetivo de garantir a tranquilidade da população e reduzir os índices de criminalidade. Mas, sou convicto que o meio no qual as pessoas estão inseridas muda tudo. Quando assumimos a prefeitura em 2009 (no primeiro mandato), tínhamos bairros violentos. Conseguimos superar, mudar essa situação, através de infraestrutura. Levamos asfalto, dignidade, respeito, obras públicas. Os moradores hoje têm calçadas, com acessibilidade e padronizadas, por exemplo. Então, a segurança aqui tem três pilares: o meio, a guarda municipal e a polícia militar. Sempre dando ênfase ao meio. Não há nenhum bolsão, ninguém que não tenha acesso a coisa pública.

BP – Então, podemos afirmar que ações voltadas a qualidade de vida dos moradores, ao bem-estar, são prioritárias?

Prefeito Luiz Assunção –  Sou convicto de que o meio muda tudo. Mais polícia é consequência de um meio ruim. Se melhoramos o ambiente, tudo muda. Inclusive, em relação a escola, que tem uma função muito importante na nossa sociedade. Assim, educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento social são nossos pilares.

BP – A área da saúde é, justamente, outra demanda constante dos cidadãos. Quais as principais ações, iniciativas, conquistas e planos?

Prefeito Luiz Assunção –  Temos a melhor saúde pública da Região Metropolitana de Curitiba. Ela é boa, mas vai ficar melhor. Damos respostas a todas as demandas entre cinco e sete dias (no máximo), para qualquer exame e remédio. Inclusive, vou em qualquer posto de saúde às 6 horas, 7 horas da manhã… Fui também o primeiro prefeito a ir até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento, criada em consórcio com o município de Quatro Barras, inaugurada na gestão anterior). Vou para conversar com as pessoas, perguntar se está faltando alguma coisa, se estão sendo bem atendidos. Chego sem avisar. E, queremos melhorar ainda mais. Nesse momento, estamos arrumando a situação da prefeitura, assumimos com algumas dificuldades. Já no próximo ano vamos investir muito mais em várias áreas, sempre para aperfeiçoar o conjunto de serviços públicos. Teremos importantes investimentos em todos os setores da administração pública. Mas, ainda não posso detalhar. Hoje temos 13 unidades básicas de saúde, duas unidades de apoio e mais o centro de especialidades médicas, além da UPA. Promovemos ainda campanhas de conscientização sobre vários temas, como, combate à dengue e a importância da vacinação.

BP Aliás, prefeito, o senhor tem também visitado os moradores, batendo na porta das residências. O que motivou essa iniciativa?

Prefeito Luiz Assunção –  Ando na rua sozinho, em qualquer parte da cidade, entro em qualquer comércio. Muitas vezes as pessoas nem me veem como prefeito porque, em várias situações, uma autoridade permanece um pouco mais longe da população. Até percebo que sou tão acessível que a população parece pensar: “Que prefeito é esse que está em todos os lugares?”. Eu faço isso de maneira normal, dirijo o meu carro, e gosto de ir até a casa dos moradores, para conversar, saber o que está acontecendo na cidade. Conheço também todos os funcionários públicos, e eles sabem que podem falar comigo a qualquer momento, sem nenhuma preocupação de externas suas opiniões. E, todas as sextas-feiras as portas da prefeitura estão abertas para quem quiser vir até a prefeitura. É só chegar. Recebo todos nessa sala (de reuniões). Até agora nem sentei na cadeira de prefeito, instalada no gabinete. Tudo acontece aqui, com simplicidade e objetividade.

BP Outra questão essencial para o crescimento dos municípios envolve ações para atrair empresas e gerar empregos. Qual é a situação do município?

Prefeito Luiz Assunção – Quando assumi a prefeitura, ainda no primeiro mandato, o município estava muito atrasado. Assim, durante duas gestões ((2008 a 2012 e 2013 a 2016) consegui asfaltar quase toda a cidade, trouxemos agências de instituições bancárias, da Sanepar, da Copel e dos Correios. Nada disso existia antes! Automaticamente, investimos na infraestrutura da cidade industrial, fomos buscar alguns comércios grandes, e montamos o porto seco, onde atuam grandes empresas. Então, nossa área industrial tem se desenvolvido. Hoje, somos importadores de mão-de-obra, temos boas ofertas de trabalho. O Hospital Angelina Caron, por exemplo, emprega muita gente de fora do município. Calculo que, no geral, 50% das pessoas que trabalham aqui vêm de fora, de outros municípios da região.

BP – O município tem inúmeros atrativos naturais e recebe muitos turistas. Quais os principais projetos para esse setor?

Prefeito Luiz Assunção –  Esse é um tema complexo. Atualmente, é sabido da importância do município na questão da água, que abastece a população da região, inclusive, Curitiba. Então, temos sofrido restrições ambientais para trazer algumas indústrias para a cidade. A indústria para funcionar aqui precisa ser muito limpa. Por isso, temos buscado investir em turismo, em projetos ligados a sustentabilidade. Para isso, criamos a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável. Ela tem por competência básica promover políticas, programas e ações que incentivem o desenvolvimento ambiental e agrícola de forma equilibrada e sustentável.

BP – Como estão as discussões sobre o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório Artificial (PACUERA), que tem foco na Represa do Capivari?

Prefeito Luiz Assunção –  Essa também é uma questão bem complexa, envolve loteamentos irregulares, e está sendo tratada pelo Governo do Estado junto com a Copel. O município não pode assumir essas atribuições sozinho, não tem poder para isso. O assunto está sendo acompanhado ainda pelo Ministério Público, IAT (Instituto Água e Terra) e a Força Verde.

BP – A questão da destinação do lixo, que tem relação direta com o meio ambiente, preocupa os municípios da RMC. Será que teremos uma solução?

Prefeito Luiz Assunção – O lixo não é estrutural, é pessoal. Infelizmente, a gente vê muitas pessoas ainda jogando lixo na rua porque acha que ninguém está vendo. Não colocam no lugar certo, não fazem a separação correta. Aqui, temos, por exemplo, um problema específico com o lixo gerado nas chácaras. As pessoas vão lá para o lazer e depois colocam o lixo num saco, para não deixar na propriedade. Acabam jogando na primeira esquina da estrada, no mato…Por isso, essa questão do lixo é um problema que só se resolve com conscientização, educação e responsabilidade. O lixo é um problema coletivo. Não é fácil resolver essa situação. É difícil. Aqui, temos o recolhimento do lixo comum e do reciclado, que é encaminhado para uma cooperativa. Entregamos até um saquinho verde na casa dos moradores, para a coleta do lixo reciclado, como incentivo para a separação correta. Uns usam, outros não…É complicado. Mas, estamos melhorando.

BP- A integração da Região Metropolitana de Curitiba é uma luta que mobiliza os gestores. Na sua opinião, o que funciona e o que precisa melhorar?

Prefeito Luiz Assunção – Cada município tem sua particularidade, suas demandas. Hoje temos um bom relacionamento com os prefeitos da região, especialmente, os que estão mais próximos, que fazem divisa com o nosso município. E estamos sempre dialogando. A saúde, acredito, é o setor que tem questões mais comuns. Como já disse anteriormente, um bom exemplo, dessa integração é a UPA, implantada em consórcio com o município de Quatro Barras, que atende a população.

BP – Qual é o legado que o senhor quer deixar para o município?

Prefeito Luiz Assunção – Quero melhorar o meio no qual as pessoas vivem. Quando sai daqui, em 2016, fui o último a deixar a prefeitura e “sai de ré”, dizendo que aqui nunca mais voltava. Vivi muito intensamente aqueles mandatos, e continuo fazendo o mesmo agora. Mas, naquela ocasião, peguei uma prefeitura sem liberdade. Aqui, tínhamos um curral político onde as pessoas demonstravam dificuldades para falar, de ir e vir…Eu mudei isso. Hoje temos liberdade de expressão, de convivência. Em 2016, quando sai, perguntei para as pessoas: “Qual a maior obra que fiz?”. Uns disseram que foi o asfalto (de quase toda a cidade); outros que fiz uma saúde exemplar. Discordei e respondi: “Nada disso foi a melhor obra que eu fiz. A principal obra foi fazer vocês sentirem o gosto da liberdade, de poder ir e vir, de poder falar, rir. Gostaria que vocês nunca perdessem isso!”. Agora, quero deixar a cidade de uma forma que se o próximo prefeito fizer pior será cobrado. Hoje, Campina Grande do Sul já é um bom município para morar, para criar os filhos.

“A polarização não é boa para ninguém”

BP – Como o senhor está acompanhando a sucessão do Governo do Paraná que ocorrerá no ano que vem? Como acha que pode influenciar o futuro do município?

Prefeito Luiz Assunção – Como prefeito, tenho que avaliar o que é melhor para a população. Lógico que estamos acompanhando as movimentações e tenho minhas preferências pessoais. Mas, nesse momento prefiro não opinar. Porém, sei escolher entre o trigo e o joio. No sistema brasileiro parece que a gente vota em quem quer, mas é sempre em quem é colocado lá. Então, faço sempre algumas perguntas, nestes momentos: “Para quem entregaria meus negócios? Quem eu deixaria cuidar da minha família?” A resposta mais positiva eu sigo, eu voto. Não sigo muito as ideologias. Eu sou centro, centro-esquerda e centro-direita.  Prefiro que o próximo governador do Paraná seja uma pessoa que tenha capacidade, com experiência política já comprovada e que também conte com uma experiência na área privada. E, que siga fazendo o Paraná crescer, como tem feito o Governador Ratinho Júnior.

BP – Como o prefeito vê a polarização que tem marcado a política nacional?

Prefeito Luiz Assunção –  Sou a favor da liberdade, da democracia. Sinto hoje pena da juventude não ter a experiência, a vivência dos mais antigos, e não saber o que é a democracia. Quem sabe, é que tem uma idade mais avançada, que passou por aquele período das décadas de 60, 70…Hoje, sem parâmetros, vemos pessoas falando um monte de coisas. Só posso lamentar porque o Brasil é o melhor país para se morar, para viver. Muitas dessas pessoas deveriam ter maiores conhecimentos sobre como funcionam os serviços públicos, entre eles, o da saúde, nos EUA e na Europa. Enfim, a polarização não deveria existir, não é boa para ninguém!

Cidade tem 50 mil habitantes e ambiente acolhedor

Quem chega a Campina Grande do Sul, onde vivem mais de 50 mil habitantes (IBGE/2025), se encanta com uma paisagem verde, um clima tranquilo e acolhedor. No vai e vem do trânsito do início da tarde, a maioria dos pedestres que circula pelos arredores da Praça Bento Munhoz da Rocha Neto – na região central, não aparenta pressa e faz questão de desejar uma “boa tarde” a quem encontram pelo caminho.

No entorno da pracinha, na qual há um singelo coreto, fica a sede da Prefeitura Municipal, a Câmara de Vereadores, a Escola José Eurípedes Gonçalves, a Igreja Matriz São João Batista e pequenos comércios. O cenário de calmaria contrasta com o fluxo agitado da rodovia que faz a ligação com Curitiba: localizada a aproximadamente 30 km da Capital do estado, o município fica às margens da BR-116 – conhecida como Corredor do Mercosul.

O trafego de veículos, especialmente de caminhões, sempre é intenso. É por esse caminho que passam também centenas de pacientes de diversas regiões, que procuram tratamento no Hospital Angelina Caron, centro médico hospitalar de referência no Sul do país, instalado na Rodovia do Caqui (PR 506). Muitos dos funcionários, que se deslocam de cidades da RMC para trabalhar nas empresas ali estabelecidas, atraídos por boas ofertas de empregos, também fazem esse trajeto. Isso contribui para aumentar o fluxo de carros e ônibus.

Centro industrial – A economia é baseada principalmente nos serviços, inclusive de importantes plataformas de e-commerce, seguido pela indústria e agropecuária. A cidade conta com o Centro Industrial de Campina Grande do Sul (CICAMP), atraindo novas empresas através de incentivos fiscais e investimentos em infraestrutura. No local, os setores que se destacam são o alimentício, metalmecânico, de plásticos, tintas e moveleiro. Campina Grande do Sul, que apresentou ainda um acelerado processo de urbanização na última década, tem uma privilegiada posição geográfica. Faz limites, a nordeste, com o estado de São Paulo; ao norte, com Bocaiúva do Sul; a oeste, com Colombo; ao sul, com Quatro Barras; e a leste com os municípios de Morretes, Antonina e Guaraqueçaba.

O famoso Pico Paraná é um dos cartões-postais da região

A montanha mais alta do estado e da região Sul do Brasil, o Pico Paraná, é uma das grandes atrações de Campina Grande do Sul. Com 1.877 metros de altitude, a vista de seu topo é deslumbrante, alcançando as baías de Paranaguá e Antonina, além da cidade de Curitiba e do trecho da Mata Atlântica, que embeleza e enche de vida o litoral paranaense.

A montanha, um desafio para os aventureiros, faz parte do Parque Estadual Pico Paraná (PEPP), criado pelo Decreto Estadual nº 5.769/2002, e está localizada na Serra do Mar paranaense, mais especificamente na Serra Ibitiraquire, que em tupi significa “Serra Verde”. Como o número de visitantes vem crescendo exponencialmente, o Instituto Água e Terra (IAT) publicou, recentemente, uma portaria (nº 470/2025) determinando o Plano de Uso Público Emergencial (PUP) do Parque Estadual Pico Paraná. O novo regramento estabelece normas e diretrizes para o controle de visitação. O objetivo é organizar e minimizar os impactos da presença do público, assegurando a preservação da unidade de conservação, a segurança e o ordenamento das atividades no local.

Rios e cachoeiras – Outro espaço do município que recebe muitos turistas é o Parque Ari Coutinho Bandeira. Abrigando a única represa da região, é muito frequentado por visitantes para a prática de pesca e passeios náuticos. Ele situa-se às margens da represa Capivari-Cachoeira. Aliás, são as dezenas de rios e cachoeiras que cortam o território de Campina Grande do Sul que abastecem três importantes bacias hidrográficas: a do Rio Iguaçu, a do Ribeira e a do Atlântico ou Litoral. Os rios Timbu, Canguiri e Capivari formam os principais cursos de água do município.

Como chegar ao Parque Pico Paraná: Pela BR-116, passando o Posto do Tio Doca, entra à direita na Ponte do Rio Tucum, seguindo por 6 km, passando pela Fazenda Pico Paraná e Fazenda Rio das Pedras, até a base do IAT; no final da estrada, está o início do acesso à trilha para o Pico Paraná e outros cumes daquela unidade de conservação.

Mais informações: (41) 3213-3422; WhatsApp (41) 9 9554 – 0414; e-mail: [email protected]


Fonte Bem Paraná

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