Caso ‘Bessias’ na Lava Jato completa 10 anos; Messias aguarda sabatina para STF

20jorgemessias jc
Jorge Messias (foto: José Cruz / Agência Brasil)

O “caso Messias”, que envolve o advogado-geral da União Jorge Messias, completa 10 anos nesta segunda-feira (16). Uma gravação divulgada em 16 de março de 2016 traz a menção do nome de Jorge Messias, hoje advogado-geral da União e indicado de Lula (PT) para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

Na conversa, Messias foi mencionado pela então presidente Dilma Rousseff (PT) em uma conversa com Lula. Na ocasião, Messias era subchefe para Assuntos Jurídicos do Palácio do Planalto. Dilma o mandou levar até Lula o “termo de posse” como ministro da Casa Civil. Na ligação, ela disse ao petista que ele deveria usar o documento “em caso de necessidade”.

A comversa, contudo, estava sendo interceptada no âmbito da Operação Lava Jato. E acabou interpretada como uma tentativa de Dilma de evitar que Lula fosse preso, dando a ele um alto cargo no governo. Uma decisão do STF impediu que o petista comandasse o ministério.

A então presidente estava fanha, e pronunciou o nome de Messias como “Bessias” na ligação. Adversários do PT adotaram o apelido. A forma como Lula se despediu de Dilma, “tchau, querida”, virou uma espécie de slogan da campanha de opositores pelo impeachment, consumado em agosto de 2016.

No mês seguinte à divulgação do áudio, o então juiz responsável pela Lava Jato, Sergio Moro, hoje senador pelo União Brasil do Paraná, pediu desculpas ao STF por ter tornado a gravação pública mesmo tendo o material sido produzido depois de uma ordem judicial para que o grampo fosse encerrado.

Lula seria preso em 2018, solto em 2019, e eleito presidente da República novamente em 2022 depois de uma série de vitórias judiciais.

Messias no STF

Passados 10 anos, Messias aguarda uma sabatina no Senado, à qual precisa ser submetido para assumir uma vaga no Spuremo Tribunal Federal. Indicados para o STF precisam ter ao menos 41 votos favoráveis no Senado, depois de responderem a perguntas de senadores, para serem aprovados.

A escolha de Messias para a vaga na corte foi anunciada por Lula em novembro passado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), chegou a marcar a sabatina do indicado, mas a cancelou porque o governo até o momento não enviou os documentos necessários. Lula usou o artifício para ganhar tempo e tentar obter mais apoio para seu indicado.

Integrantes do governo e senadores aguardam um novo encontro entre os presidentes da República e do Senado para destravar a sabatina. A expectativa é que a conversa seja nos próximos dias. Aliados de Lula acreditam que a votação poderá ser realizada ainda em março.

Evangélico, Messias se tornou um dos principais interlocutores do presidente junto a setores religiosos resistentes a Lula e ao PT. Sua identidade religiosa apareceu, por exemplo, em conversas com senadores em busca de apoio, como mostrou a Folha de S.Paulo.

Ele também indicou ter visão conservadora sobre aborto e drogas, além de sinalizar que não será um opositor das emendas parlamentares –o principal mecanismo para deputados e senadores enviarem dinheiro para suas bases eleitorais.

A escolha de Lula contrariou a cúpula do Senado e marcou o distanciamento entre o governo federal e a Casa, que havia sido a principal fonte de apoio da gestão petista no Legislativo. Alcolumbre queria que o escolhido fosse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Messias é benquisto no mundo político. Senadores, porém, avaliam que ele dificilmente será aprovado para o cargo se não houver um ajuste prévio entre Lula e Alcolumbre. Logo após a indicação, o ministro argumentou com congressistas que não poderia ser penalizado por um desentendimento entre os presidentes da República e do Senado.


Fonte Bem Paraná

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *