Delegado Francischini volta aos palcos da política e fala em nova frente de direita no Paraná

FERNANDO FRANCISCHINI
Fernando Francischini vai ser candidato a deputado federal em 2026 (Foto: Franklin de Freitas)

O Delegado Francischini está de volta aos palcos da política. Após seis anos longe das urnas, em 2026 ele volta a participar de uma eleição, cinco anos depois de ser cassado e declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E o pleito que se aproxima, além de marcar seu retorno, também o reserva um inusitado cenário. Isso porque ele vai concorrer a deputado federal e terá como um dos concorrentes seu próprio filho, Felipe Franciscini, que vai buscar a reeleição.

“Endireitando” partidos políticos

Para além de buscar um mandato, contudo, o político também dará continuidade a um trabalho que já vinha realizando nos bastidores da política. Depois de ajudar a consolidar a nível nacional a federação Renovação Solidária (formada pelo Solidariedade e pelo Partido Renovação Democrática, o PRD), ela agora terá a missão de liderar essa federação nas eleições aqui do Paraná.

“Eu ajudei a fundar o Solidariedade e depois me afastei em função do partido ter adotado uma outra linha, diferente do que eu pensava. Mas depois vi o partido romper extremamente com o Lula e os quadros que tinham vínculo com a esquerda começaram a sair. E a direita precisa ocupar outros partidos políticos, senão na hora da eleição nós só vamos ter o PL [Partido Liberal, de Jair Bolsonaro]”, relata.

A meta, diz ele, é lançar 31 candidatos a deputado federal e outros 55 candidatos a deputado estadual. Entre eles estará Flávia Francischini, sua esposa, que está deixando o União para se filiar ao Solidariedade e vai buscar mais um mandato na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Já o filho do casal, Felipe Francischini, também está deixando o União para se filiar ao Podemos.

Apoio nas eleições para o Governo do Paraná e a Presidência da República

Dois movimentos que afastam a família Francischini do senador Sergio Moro (União), pré-candidato ao governo do Paraná e com quem o delegado trabalhou na época em que estava na Polícia Federal e Moro ainda era juiz federal. Não à toa, eles vão apoiar localmente o candidato a ser indicado pelo governador Ratinho Júnior, do PSD. Três nomes estão na disputa: Alexandre Curi, Guto Silva e Rafael Greca.

Já no cenário nacional, a expectativa ainda está acerca da definição se Ratinha será candidato a presidente ou não. Uma decisão será tomada até o final de março, no máximo. “Para nós, apoiar um governador do Paraná para presidente é importante, dá projeção ao estado. Por outro lado, o Flávio Bolsonaro também é um grande candidato. Temos dois nomes muito capacitados, mas ainda não temos o parâmetro de se o governador vai realmente se lançar”, aponta Francischini pai.

ENTREVISTA COMPLETA

Cidades Francischini Franklin de Freitas
Delegado Francischini no Estúdio Bem Paraná (Foto: Franklin de Freitas)

BEM PARANÁ: Delegado, a última vez que nos encontramos foi em 2020, às vésperas da eleição municipal. Na época o senhor era bastante diferente, passou por uma verdadeira transformação desde então.
DELEGADO FRANCISCHINI:
Minha mulher vem fazendo reformas, ela diz. Não sei se ela tava achando que eu tava ficando muito barrigudo, careca… Ela falou assim ‘olha, vamos dar uma ajeitada, né?’, e eu achei legal. E muita gente me procura, me vê na rua, e olha assim, nos olhos, né? Você reconhece a pessoa que às vezes emagreceu muito ou colocou um pouquinho de cabelo pelo olhar. Aí a pessoa olha nos olhos e fala assim ‘você é o Francischini? Você é o filho ou é o pai?’ Então já estou sendo reconhecido como o filho por aqui. Acho que a mulher acertou um pouco nas reformas.

BP: E quando começou esse processo de transformação? Tua esposa está satisfeita com as “reformas”?
FRANCISCHINI:
Ela achou melhor, creio eu. Foi um processo que começou aos poucos, porque a Flávia é bonitona, né? E daí ela ia olhando o marido dela e todo mundo provocando… O pessoal vinha para me provocar, os amigos são duros. “Pô, Francischini. Você ficou inelegível com aquela sacanagem do pessoal lá de Brasília, mas votei no seu filho e na sua filha’. Já mandava todo mundo para aquele lugar, cara [risos]. Daí eu resolvi aceitar as reformas e ver se a gente dá uma igualada aí.

Mas eu acho que é assim: a gente tem que gostar da gente para poder cuidar das pessoas. Quando a gente está mal com a gente mesmo, como é que você vai cuidar das pessoas? E tem tanta gente mal amada, amarga por aí. E eu tenho incentivado muita gente, não só na questão física, mas na questão emocional também. Nós estamos num momento difícil do país, do mundo, em que as pessoas levam o confronto de opinião para o lado pessoal. E eu sempre fui muito firme nas minhas opiniões, mas eu convivo com todos os lados, com as pessoas que pensam diferente, com as pessoas que estão em lados diferentes. A Flávia também, na Assembleia ela é tida como uma conciliadora de partidos que você nem imagina que eu estivesse perto. Então acho que ela herdou muito isso, de você ter opinião muito forte, divergente, mas você não chegar nos extremos. E a gente vê as pessoas adoecendo emocionalmente. Então, quando a gente vê o lado físico bem, tem que estar com o lado emocional bem. Principalmente pessoas que são pessoas públicas, eu que fui delegado à Polícia Federal, grandes operações, e que agora tem uma responsabilidade grande nesse ano, de conduzir muitos candidatos a governo, a deputado federal, deputado estadual, que vão representar pessoas que estão esperando cada vez mais menos bancada do like, aquela que só vive de vídeo para as pessoas curtirem, viralização: ‘vou lá e vou judiar daquela pessoa, vou pegar uma pessoa em necessidade, vou fazer um vídeo para viralizar’, e cada vez elas esperam mais daquele que tem uma posição ideológica, mas que ela traga resultados. Projeto de lei que muda a vida das pessoas, uma reforma num posto de saúde em que a fila era interminável. Eu acho que esse ano é um ano que vai ter essa disputa ideológica, mas elas vão buscar, na direita ou na esquerda, aqueles que pelo menos trazem um resultado naquela expectativa de vida, de problemas que essa pessoa vive no dia a dia.

BP: E até pelo o que o senhor comentou com relação à importância da saúde mental, emocional, imagino que essa sua transformação não passou só por procedimentos estéticos…
FRANCISCHINI:
Veja, Rodolfo. Depois de uma cassação tão injusta… Eu tinha sido campeão de votos na história do Estado. O Ratinho Júnior, que é um grande comunicador, nosso governador, tem uma super aprovação e uma rede de televisão por trás, quando foi candidato a deputado estadual no seu auge, fez 300 mil votos. Eu fiz 427 mil votos. Para mim aquilo era histórico. Eu andava nas ruas e as pessoas falavam ‘votei em você por uma mudança no nosso país em 2018, junto com o presidente Bolsonaro’. E de repente, em função de uma disputa ideológica lá em cima, nos tribunais superiores… Eu fui absolvido no TRE do Paraná. Eu fiz um vídeo contestando o que eu achava na época, faltando 10 minutos para fechar a eleição. Quer dizer, não teve impacto nenhum na eleição, e o TRE aqui foi muito correto, julgou tecnicamente. E lá em cima não foi semelhante, no TSE e no Supremo, e eu tive que ir até o último momento para disputar uma eleição. Uma cassação super injusta como essa afeta qualquer pessoa, né? Então a gente teve esse apoio de família, de pessoas que vinham e diziam ‘olha, eu vejo senadores, deputados envolvidos em corrupção, desvio de dinheiro’. Agora nós estamos vendo gente envolvida em tudo quanto é escalão [do governo] com banco que lavava dinheiro do PCC e com esses nunca acontece nada. Mas como é que alguém que fez um vídeo criticando o sistema perde um mandato com quase meio milhão de eleitores? Então aquilo impacta uma pessoa, né? Se você não tá preparado emocionalmente, você não tem uma família, por trás, que te dá sustentação, se você não está preparado para saber continuar de pé, com a mesma força… Porque eu vou voltar um dia lá e vou continuar esse trabalho. E é o que eu vou fazer esse ano.

Vou trazer praticamente em primeira mão pra você que eu vou me candidatar a deputado federal. Eu era Estadual na minha última eleição, mas é lá em Brasília que eu consigo enfrentar o sistema que me cassou. Esse sistema precisa ter deputados e senadores que não tem o rabo preso, que tem coragem de criticar, que tem coragem de contestar, de botar o dedo nas coisas, de elogiar aquilo que tá certo. Mas não dá mais para aquilo, para a gente ter uma bancada em que ela satisfaz num primeiro momento, porque eu vi um vídeo bonito na internet e achei que ele é capacitado, mas não traz resultado. No meu mandato, eu fui um dos líderes da aprovação da Lei do Crime Organizado, que criou a delação premiada usada pelo juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato, a lei que criou as guardas municipais, que é a polícia municipal hoje de todas as cidades do Brasil. Então hoje o que eu sinto é que decidi voltar a ser candidato justamente por isso. Eu vejo vídeos bonitos, mas não vejo resultado. E eu acho que nós temos que mandar não só pessoas que têm resultado, mas gente nova. Nós estamos precisando em Brasília de senadores, de deputados que possam ter uma visão empresarial, uma visão do movimento estudantil, uma visão das mulheres. Ainda é pouca mulher na política. Nós temos talvez 15, 20% de mulheres. As mulheres são 10 de 54 na Assembleia Legislativa. Então ainda é pouco, e eu acho que a mulher dá o equilíbrio. A mulher traz pra nós aquilo do homem ser mais racional. E hoje eu vejo a Flávia com uma bandeira que encanta todo mundo, que é o autismo, que é cuidar das APAEs, da síndrome de Down, que poucos têm isso como princípio de vida, como ela e eu, por ter um filho autista. Então vejo que esse equilíbrio é importante no parlamento também.

BP: E você saindo candidato a deputado federal deve entrar numa disputa junto com o teu filho, o Felipe, que já é deputado federal, está saindo do União Brasil e vai para o Podemos e deve tentar a reeleição. Como está sendo lidar com isso? Vocês já conversaram sobre como serão as campanhas?
FRANCISCHINI:
Muita gente, dos amigos e da família, me pergunta isso. E eu sempre digo que quando o pai presta na sua profissão, não é aquele pai que envergonha a família, o filho vai querer seguir a profissão do pai. Então um bom médico, se você olhar quem está tocando a clínica deles, são os filhos. O próprio Felipe fez Direito por minha causa, depois quando me viu na política ficou super animado e falou que queria fazer o que o pai dele fazia. E a Flávia era a coordenadora das minhas campanhas e das do Felipe, mas esse ano vai ser uma coisa diferente. Mas o voto dele é um voto diferente do meu. O voto dele é um voto municipalista, então ele tem muitas prefeituras no interior, milhares de pessoas que ele ajuda com as emendas na Saúde, na Educação. É um movimento diferente. O meu [voto] é muito pouco prefeitura e vereadores e é um voto mais de embate, de enfrentamento, de posição ideológica, de ajudar a mudar o país e a economia como um todo. E quem entende de legislação eleitoral sabe, não tem uma disputa direta, porque hoje com o sistema eleitoral vigente, a disputa é mais dentro das chapas. Então, dentro das chapas, a gente vê que elege conforme o número de eleitores que tem em cada grupo político. E eu torço para que, como ele, jovens, possam continuar no mandato e possam fazer um bom trabalho. Então não é bem uma disputa, embora seja uma coisa totalmente nova pai e filho disputando 30 vagas que são para deputado federal. E a gente vê isso com ânimo até, porque eu já tive 427 mil votos, o Felipe eleito com 21 anos de idade, a Flávia também, que não tinha uma história política, foi a primeira mulher, primeira secretária da Câmara de Vereadores em Curitiba e logo em dois anos ela já era a vice-presidente da Assembleia. Mês passado, para orgulho nosso, ela é a primeira mulher que foi presidente da Assembleia Legislativa do Paraná. O Alexandre [Curi] fez uma viagem de fim de ano e a Flávia assumiu a presidência da Assembleia interinamente. Em 170 anos de história, nunca uma mulher foi vice ou foi presidente. E a gente conversa muito, não é uma coisa para ela. Ela abriu uma janela e uma porta para todas as mulheres que olham e falam ‘eu quero ser vereadora, eu quero ser prefeita, deputada, mas os homens se fecham numa panelinha’. Ser presidente da assembleia é uma caneta de bilhões, é uma caneta que durante uma legislatura de quatro anos movimenta um volume considerável de dinheiro, de pessoas, de partidos políticos, interesses. Então acho que as mulheres enxergam nessa porta que ela abriu uma janela para todas as mulheres na política.

BP: E você comentou que a Flávia fazia a coordenação das duas campanhas, as tuas e do teu filho. Como vai ser agora?
FRANCISCHINI:
Agora nós vamos ver quem fica com a Flávia [risos]. Mas a gente torce muito pelo Felipe. Ele tem uma vida política própria, totalmente independente, e faz um bom trabalho em Brasília, um trabalho muito técnico, municipalista. A gente volta depois da eleição aqui, Rodolfo, comentar o que aconteceu pra ver qual foi o resultado de tudo isso. Mas a gente tá muito animado com a possibilidade de uma mudança no governo federal. Nós que tivemos e temos muito vínculo com o Bolsonaro, eu me entristeço…

BP: Hoje como que está a relação com a família Bolsonaro?
FRANCISCHINI:
É uma relação muito próxima. Tivemos período em que as vezes a gente não concordava, e eu não era um daqueles cordeirinhos que balançava a cabeça. Às vezes eu discordava e reclamava, como acontecem com relação à vacina. Eu não concordei, falei, ele [Bolsonaro] ficou chateado comigo na eleição municipal [de 2020]. Depois, na reeleição em 2022, eu ajudei o próprio Flávio Bolsonaro na coordenação com as motociatas para ajudar o Paulo Martins [que foi candidato a senador naquele pleito] aqui em Curitiba e agora somos muito próximos. Eu tô com o meu chefe de gabinete preso, né? É o Anderson Torres, que era o ministro da Justiça, que tava em Orlando, na Disney, durante aquela manifestação de 8 de janeiro. Ele tá preso, condenado a 24, 25 anos de reclusão. Um absurdo! Não matou, não roubou, não cometeu um crime de violência sexual. Nem quem mata fica tanto tempo preso. Acho que a Suzane Richthofen vai ficar presa menos tempo, ficou menos tempo do que eles [condenados do 8 de janeiro] vão ficar. Então há uma desproporção brutal na pena. Claro, tiveram vândalos no meio, mas eu que vivi oito anos no Congresso Nacional como deputado federal já vi o MST fazer pior lá na frente. Capotar carro, incendiar a porta do Congresso, índio dar flechada em segurança da Câmara, grupos de esquerda invadirem e tomarem o plenário. Mas eu nunca vi ninguém preso deles. Então, assim, como alguém que tem princípios e valores, eu acho que têm que ser punidos aqueles que quebraram, depredaram patrimônio histórico. Mas a “Débora do Batom” pegar 14 anos de prisão por ter escrito algo na estátua da Justiça é uma obscenidade. Enquanto isso, pichadores são pegos num dia e no mesmo dia já estão na rua. Está muito desproporcional tudo isso, então eu tenho uma posição muito definida: eu quero ajudar a resgatar o nosso país. O governador Ratinho Júnior vai ser um mega candidato. Tenho certeza que o que ele fez no Paraná, se ele fizer no Brasil, muda a história do nosso país. Ele é muito técnico, sabe tocar obra, sabe tocar tudo. O Flávio será um grande candidato também, porque herdou os votos do pai e não herdou toda a rejeição que talvez eu e o pai dele, que somos mais velhos, com embates muito antigos, temos. O Flávio não traz tudo isso. Então, temos aí dois ótimos candidatos, e quem estiver no segundo turno vai ter o apoio do outro. O Paraná e Santa Catarina são estados que ainda têm essa defesa de princípios, valores da direita, e eu sou daquela área que não chega lá no extremo. Porque a minha área é mais a segurança pública.

BP: Você se colocaria como um político de centro-direita?
FRANCISCHINI:
Não, eu me coloco na direita. Mas assim, eu não deixo a minha opinião chegar no extremo de eu não gostar da pessoa que pensa diferente. Isso que eu sempre defendi. Então, por exemplo, eu não era contra a vacina. Tanto que eu fui o presidente da comissão da Assembleia Legislativa que fiscalizou a fila da vacina. Eu achava mais importante fiscalizar se tinha prefeito, secretário de saúde cumprindo uma fila em cima de quem tinha mais risco de morte, do que divulgar que a vacina não fazia efeito. Porque eu sabia que todo tipo de vacina tem algum efeito adverso. Só que eu defendia que aquele que não queria tomar tinha o direito de não tomar. Aquele que é de direita tem o direito de ser de direita, mas ele não precisa ser inimigo de quem é da esquerda. E o de esquerda é a mesma coisa. Eu posso criticar, debater, ir contra. Mas eu não posso ser contra ele e a família dele. Esses embates, até em grupos de WhatsApp, dentro da própria família, têm sido coisas que afastam as pessoas. Eu tenho que saber que eu não concordo com, às vezes, uma tia distante, ou meu pai, ou meu avô. Mas quando eu sento no domingo com a família para almoçar, esse assunto é um assunto de debate político. E, ultimamente, essa polarização tem conseguido afastar famílias, amigos, etc.

BP: E agora no dia 9 de março vai ser lançada a Federação Solidariedade PRD. Como foi a costura dessa união e qual o objetivo dos partidos envolvidos aí também com essa aliança?
FRANCISCHINI:
Veja, quando eu fui voltar para um partido político, procurei o presidente Bolsonaro lá na sede do PL. Fiz uma visita e perguntei pra ele ‘se eu voltar em 2026 a ser candidato, por onde eu devo voltar?’ E ele me falou uma coisa que eu marquei muito e por isso não voltei para um partido como o PL, que é um super partido, que já estão todos os grandes expoentes nossos lá dentro, a direita lá dentro. ‘Cara, nós temos que ocupar outros partidos políticos, senão na hora da eleição, por exemplo, do Flávio Bolsonaro, nós só vamos ter o PL, Francischini’, falava o presidente. E na época, o Solidariedade estava prestes a romper com o Lula.

BP: E é um partido com o qual o senhor já tinha uma história…
FRANCISCHINI:
Já tinha ajudado na fundação e tinha me afastado em função do partido ter uma outra linha, diferente do que eu pensava na época. E eu assisti o partido romper extremamente com o Lula. A gente vê que os quadros que tinham vínculo com a esquerda começaram a sair nos últimos meses do partido e isso me possibilitou colocar mais um partido no Paraná que pudesse se aliar com o governador Ratinho Júnior, que pudesse se aliar com uma eleição presidencial de um candidato como Flávio ou como Ratinho e que nacionalmente também vai estar alinhado com a mudança, com o resgate do nosso país, já que na minha visão o Lula está fazendo muito mal para a economia, para a política internacional, fazendo mal na área de segurança pública, já que é um governo omisso, leniente. O crime organizado nunca foi tão forte no nosso país. Por isso eu escolhi o Solidariedade, ajudei o Paulinho [da Força, presidente nacional do Solidariedade]. aproximei o Ovasco [Resende], fui eu que fiz a ligação do Ovasco, com o Paulinho. O Ovasco é o presidente da federação e era o presidente do PRD. Para as pessoas entenderem, eu vou presidir uma federação que são quatro partidos antigos, o PTB, que era o partido do Roberto Jefferson antigamente, o Patriota, que foi um partido que esteve com o Bolsonaro, o PROS e o Solidariedade. Dos quatro, dois se fundiram, um se anexou ao outro e virou uma federação só, esses quatro partidos juntos. E nós vamos lançar a primeira federação. A Federação Nacional já existe, nós vamos lançar a primeira aqui no Estado no dia 9.

BP: E para quem não sabe, qual é o papel do presidente de um partido, de uma federação?
FRANCISCHINI:
Nós vamos escolher os candidatos que nós vamos apoiar para governo do Estado, Senado, e montar uma chapa de deputado federal e de estadual dentro dessa federação. Então os membros que eram filiados a esses quatro partidos, PTB, Patriota, PROS e Solidariedade, hoje estão embaixo do guarda-chuva que é a federação. A federação passa a ser um partido político por quatro anos, e ao final dos quatro decide se quer continuar ou não. Então nos próximos quatro anos, quer dizer, essa eleição e a eleição de prefeitos no Paraná, nós vamos estar num grupo só, esses quatro partidos que viraram dois praticamente. E a principal função é essa, escolher os pré-candidatos que vão ser homologados em julho numa convenção e fazer chapas competitivas, já que os partidos e agora a federação dependem, tem uma cláusula de barreira que mantém um partido vivo ou não. Então os partidos têm se juntado para poder cada vez existirem menos partidos, que é a ideia, né? Chegou uma época que tinha 40 partidos. Então o partido só tem acesso a fundo partidário, fundo eleitoral, tempo de TV, aqueles que, por exemplo, nesse ano, tiverem mais do que 13 deputados federais eleitos em nove estados ou dois milhões e tantos por cento de votos, é um percentual de votos. E é um degrau alto esse de 13 deputados federais. Vão sobrar poucos partidos. Por isso que até partidos maiores têm se unido para obter mais poder, que é o caso da Federação União Brasil e PP e outras federações fortes que a gente vê, como a federação do próprio PT com o PC do B e o PV, a Federação Brasil da Esperança. Então os partidos que pensam parecido estão se unindo. Por isso que eu aceitei presidir essa federação, porque eu vi o desenrolar dela para a direita para as próximas eleições.

BP: E vocês devem lançar quantos candidatos a deputado federal, estadual? Vai ter um candidato próprio ao Senado?
FRANCISCHINI:
Nós vamos lançar 31 candidatos a deputado federal e vamos lançar 55 candidatos a deputado estadual, que é o máximo que a legislação eleitoral permite. Esse mês é o último mês de filiação. até 4 de abril, quem quiser e tiver identificação com o meu trabalho, com o trabalho desses partidos, quiser nos procurar, que estiver assistindo, tem até 4 de abril. Nós podemos filiar e daí nós vamos escolher em convenção aqueles candidatos mais fortes, que têm mais chance para disputar a eleição.

BP: E a Flávia Francischini está no União por enquanto, mas na segunda-feira já migra para o Solidariedade. A ideia é ter ela buscando a reeleição para deputada estadual ou tentando uma cadeira em Brasília?
FRANCISCHINI:
A Flávia está migrando pelo vínculo dela. Ela me ajudou a coletar aas quase 30 mil assinaturas que conseguimos no Paraná para fundar o Solidariedade. Então a gente tem muito vínculo e a executiva nacional do Solidariedade vai convidar a Flávia para ser a Secretária Nacional da Mulher do partido. Isso é uma posição muito importante hoje, pois pela lei eleitoral as mulheres têm direito a 30% do tempo de TV, tempo de rádio e do fundo eleitoral e fundo partidário, que é fora do período eleitoral. E a presidente nacional do Solidaridade Mulher, que vai ser a Flávia, tem uma missão de, junto com a Executiva Nacional, selecionar mulheres que possam ter projeção nacional, que possam se eleger. Nós estamos num trabalho há mais de dois anos no nosso partido de formar mulheres para serem candidatas. Nesse momento, nós já estamos indo para o terceiro evento nacional, que nós estamos mandando as nossas vereadoras e mulheres, e as mais fortes aqui que vão. Elas já foram para Minas, agora foram para São Paulo, e agora elas estão indo em Brasília, na próxima reunião, fazer um trabalho de formação continuado que se chama Lidera, pra gente ter mulheres que possam ser candidatas. Acho que é diferente do que os outros partidos têm feito, porque sempre chega na eleição e, por falta de incentivo, a gente não tem mulher preparada. E eu acho que isso é um diferencial grande pra gente.

E sobre a Flávia, ela tem sido uma das cotadas para a disputa majoritária nos últimos dias. A bandeira dela sobre o autismo, tem uma aceitação brutal no estado… Ela vai ser uma das grandes votações para deputado estadual neste ano, porque virou uma candidata viável para compor essas chapas para governo, para Senado. Mas ela vai ser candidata a deputada estadual porque ela ama o que faz e ela viu como consegue ajudar quando é focada num assunto. Ela veio da Polícia Federal como eu, então sempre teve a pauta da segurança pública como principal, mas ela aprendeu como ela consegue usar o mandato para ajudar tantas crianças no autismo. E tinha gente que dizia para ela ‘mas as crianças autistas não vão votar em você, etc’. E ela vinha e dizia ‘eu não vou parar de ajudar as entidades porque as crianças não votam’. Aquela coisa mais louca que a gente vê em política de gente que ajuda sempre com o foco de que aquilo vai dar um retorno político, eleitoral. E eu acho que ela fez certo. Essa bandeira virou uma bandeira de vida pra nós, já que a gente vive com o Bernardinho dentro de casa. Todos os problemas que a família autista vive, terapias, agressividade, remédios caros, a família se abalando num dia e no outro dia, um gesto de amor enorme. O nosso filho tem TOD também, que é o Transtorno Opositor Desafiador, que é pior que o autismo. É aquela criança que enfrenta, que fala palavrão, que não aceita o não. Então, pra mãe ver uma criança amorosa, que beija, que abraça, diz ‘eu te amo, mamãe’ num dia e no outro dia bate em mim, bate na mãe… A mãe tem que ter estabilidade emocional. Não sei se você acompanha esses dados, Rodolfo, mas 70% das famílias autistas se separam. E a mãe, na maioria das vezes, fica sozinha com as crianças autistas. E o índice é mais alarmante porque nos últimos anos começou a ter alto índice de suicídio de mães. Casos escabrosos que a gente viu nos últimos dias dela matar a criança por não ter ninguém. Ela está tão desesperada porque ela fica sem o marido, ela não pode trabalhar, porque quem cuida da criança não tem dinheiro. Como é que vai pagar uma babá, uma cuidadora? Aí fica sem sustento até alimentar na casa dela e bate aquele desespero, a doença psicológica que nós falamos no começo, e acaba em suicídio e, às vezes, matando até a própria criança. Então, eu acho que são bandeiras que têm que ser princípios de vida. E quando eu falo que ela é candidata à reeleição e eu incentivo tanto, falei ‘agarre isso porque talvez Deus dê pra pessoas como você e como eu, bote uma criança dentro de casa como essa, fale assim ó, essa criança vai lá pra falar pra esse pessoal, o delegado e a Flávia, que não é só a segurança pública que importa, que vocês podem usar essa força política pra ajudar muita gente’, e é isso que a gente tem tentado fazer. Ela tem mergulhado muito nesse assunto.

BP: E pensando na tua candidatura mesmo, já tem projetos voltados para essa temática do autismo, alguma coisa que possa adiantar pra gente?
FRANCISCHINI:
Veja, quando eu estava deputado federal e a Flávia era a nossa coordenadora de campanha, ela vivia me perturbando, né? Ela já falava ‘se eu vou ajudar a coordenar a tua campanha, um pedaço das tuas emendas eu que vou indicar’. Então ela já vinha indicando APAEs, entidades. E eu fui o relator de uma lei das que me dá mais orgulho lá. Eu fui o relator de uma lei que estava há 10 anos numa gaveta e era de uma senadora do PT. E eu peguei essa lei, por ter o Bernardinho autista, fui no presidente da Câmara à época e falei ‘pô, põe em pauta essa lei, eu vou relatar, vou costurar’. Tivemos votação unânime, direita, esquerda, centro. Essa lei trata do diagnóstico precoce da criança autista, criando a obrigação de ter um protocolo de identificação de doença psíquica até os 18 meses de vida para criança. Demorou um tempão, mas agora o Ministério da Saúde, nos últimos anos, desde o Bolsonaro, e agora também uma nova medida com o próprio Lula, criou esses protocolos e que no SUS, o próprio médico que faz o primeiro atendimento da criança tem que começar a fazer o MChat, o protocolo. ‘A criança me olha nos olhos? A criança tem movimento repetitivo? A criança tem isso, tem aquilo?’ São várias perguntas que responde e que cria uma primeira barreira de proteção para essa criança, de um indicativo para ela ir para um especialista, para um neuro, para um pediatra especialista. Então essa foi uma lei e agora a gente quer avançar. A Flávia foi uma das autoras na Assembleia do primeiro Código Estadual da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Nenhum país, nenhum estado tem um código do autismo e o Paraná tem o primeiro código de autismo. E um dos artigos que a Flávia colocou e que eu vou tentar levar para apresentar como projeto de lei a nível federal é o tratamento para as famílias. O tratamento hoje, na lei Berenice Piana e outras, é muito focado na criança autista, no paciente. E a gente vendo as mães perdendo a família, perdendo o marido e suicídio, e ela não tendo estabilidade pra tratar a criança e cuidar dela. Então tem que ser também pra família esse tratamento. A mãe tem que ter direito a ir lá e ter uma fila especial, porque senão ela vai passar anos esperando para ter uma consulta e um psicólogo acalmar ela, dizer ‘olha mãe, você vai conseguir, vou te abrir uma outra porta ali pra você conseguir um medicamento que você não tá conseguindo comprar’, porque senão ela se desespera e ela não cuida do filho e muito menos dela. E o próximo projeto dela que está na pauta é o Código das Crianças com Síndrome de Down. Deve ser votado nos próximos dias na Alep. Acontecia muito da criança autista servir de base a lei que ela tinha direito de ter um tutor, por exemplo, na sala de aula para poder botar uma com síndrome de Down onde não tinha uma Apae bem estabelecida. Fazia isso, então eles chamavam de caroneiro autista.

BP: E temos agora a Flávia deixando o União para se filiar ao Solidariedade e o Felipe também deixando o União, mas para se filiar ao Podemos. A ideia é se afastar de Sergio Moro? E como é hoje a tua relação com o senador e ex-juiz da Lava Jato?
FRANCISCHINI:
A relação é muito boa e pra mim me deixa numa saia justa tremenda aqui no estado. Acho que poucos dos que estão na política hoje tem tamanha proximidade como eu, que trabalhei muitos anos com o juiz Sérgio Moro. E não foi uma ou duas operações, mas sim várias, dezenas de operações. Eu sei da credibilidade, da forma correta como ele age, então tenho muita proximidade. E da mesma forma o Alexandre [Curi] é um grande amigo hoje. A Flávia é a vice dele na Assembleia, ele possibilitou a Flávia ser a primeira mulher vice-presidente. Guto Silva, eu era o presidente da CCJ e ele era o chefe da Casa Civil no primeiro mandato do Ratinho, fazíamos uma dobradinha imensa. O que que me perguntam? Olha, ultimamente eu vou seguir a orientação do governador Ratinho Júnior. O governador tem sido um grande parceiro, levou o estado para outro patamar. Na campanha dele de prefeito, que ele perdeu inclusive, eu fui o último, brinco com ele sempre, apaguei a luz com ele, naquela eleição que ele disputou com o Gustavo Fruet.Nós vamos esperar ver o que vai acontecer com a orientação. O governador é capaz de, quando a gente soltar talvez as nossas próximas conversas, ele já ter definido o caminho dele. E a gente tem esperado isso porque a condução do Estado está muito coerente. O Paraná precisava de alguém que viesse com as grandes obras, com um trabalho muito forte na minha área, que é a Segurança Pública. O secretário de Segurança, Hudson, deu estabilidade para a Polícia Militar, Civil, Polícia Penal, e é um dos melhores secretários do país disparados. Então, a orientação dele é o que vai definir para mim, que tenho três pessoas que considero amigos como pré-candidatos. A gente tem esperado esse posicionamento dele, mas eu fico feliz porque não vejo nenhum dos três com chance de deixar o nosso Estado cair na mão de um PT, de um partido de esquerda radical que possa dar descontinuidade nesse trabalho. Mas o governador vai ser sábio em escolher. Eu espero que ele junte esses três grupos. Muita gente fala disso e eu acredito que ele vai saber unir esses três nomes e escolher o candidato que seja mais competitivo para o bem da continuidade do nosso Estado.

BP: E essa saia justa se repete também no âmbito nacional, onde teremos Flávio Bolsonaro e, possivelmente, o Ratinho Júnior disputando a Presidência da República. Como está avaliando a possibilidade de ter os dois como candidatos a presidente e qual o nome que apoiaria?
FRANCISCHINI:
O Ratinho tem falado pra nós que ele vai se candidatar, mas que depende de uma série de coisas e pediu até o final de março, quando ele vai ter definido a candidatura dele. E pra nós, aqui, apoiar o candidato que é o governador do nosso estado é muito importante, vai dar fortalecimento, vai projetar o estado do Paraná. Por outro lado, o Flávio é um grande candidato, já está polarizado muito com o Lula. Tenho visto pesquisas que ele já aparece à frente no segundo turno. Então eu vejo dois candidatos muito capacitados, mas a gente ainda não tem o parâmetro se o governador vai realmente se lançar. Ele falou que até final de março define a vida dele com o PSD nacional. Vai ser uma nova saia-justa, mas no segundo turno não tem nem o que se falar: os dois vão estar juntos. Então não é nada de uma sangria desatada, vai acabar todo mundo no mesmo time.

BP: A Segurança Pública foi sempre uma das tuas bandeiras na política. A outra, o posicionamento ideológico, a oposição á esquerda e, em especial, ao PT (Partido dos Trabalhadores) e Lula. E se for eleito deputado federal e acabar em Brasília ano que vem, como vai ser essa tua relação, por exemplo, com um possível governo Lula?
FRANCISCHINI:
Eu acho que o único que sai daqui já dizendo que é oposição ao Lula sou eu, né? Não há a mínima chance de composição. A gente vê muitos que se elegem, eu falo que são os candidatos laranja, que o cara é o tigrão na campanha e quando chega em Brasília e olha lá, cada deputado tem direito a X milhões de emendas e dobra e triplica se ele for base pra votar. Eu não vou votar com o Lula por causa de emenda e de cargo nunca. Eu não consigo nem pisar no Paraná de vergonha do cara que me viu minha vida inteira, delegado da Polícia Federal, investigando, prendendo muita gente deles. Depois deputado federal, impeachment da Dilma, uma cassação que eu sei que tem a mãozinha deles lá por trás de tudo isso. Todo mundo sabe que teve a mão do PT e da esquerda na minha cassação junto lá com esse pessoal [do TSE e do STF]. Então não há mínima chance de composição. Sou alguém que vai para fiscalizar. Mas eu espero realmente resgatar o nosso país, que está refém. O crime organizado nunca foi tão forte, nunca foi tão forte. E eu estou elaborando um projeto para combater isso. Tenho estudado muito o Bukele [presidente de El Salvador] e como ele fez esse combate ao crime organizado lá no país dele, um combate brutal, duro, firme. Eu chamo esse projeto de 10 medidas de combate ao crime organizado, e a primeira delas já mostra como vai ser forte esse projeto: é criar um presídio federal com 20 mil vagas no meio da selva amazônica. Por que no meio da selva amazônica? É só marketing? Não. Quero ver quem vai resgatar preso lá. Não vai ter antena de celular. Pra ficar fazendo leva e traz de carta pra preso comandar facção aqui fora, o cara vai ter que pegar aí três dias de barco pra chegar no presídio lá. Se o cara fugir, vai cair no meio das onças lá da selva amazônica. A segunda medida já é cumprimento integralmente fechado de pena pro crime organizado e pra crime hediondo. O cara matou, é vinculado à facção criminosa, se ele for condenado a 32 anos de reclusão, vai passar os 32 anos no regime fechado lá na selva amazônica. O efeito aqui fora vai ser devastador, cara. Você acha que o moleque que tá começando no crime e de repente nem ouve mais falar do cara que era o líder dele e sabe que ele tá lá no meio da selva amazônica, quebrando pedra com marreta por 30 anos, vai seguir o mesmo caminho? Ele vai procurar emprego ou ele vai continuar na vida louca, como eles falam? O exemplo é muito forte quando a lei é forte.

BP: E para finalizar, o senhor até já comentou um pouco sobre sua cassação. Como que olhar hoje aquela decisão e como está, também, a expectativa para voltar a participar de uma eleição?
FRANCISCHINI:
Essa foi uma cassação política, não foi uma cassação jurídica. Não tinha lei de fake news, até hoje não tem lei de fake news dizendo o que que é verdade e o que que é mentira. Pra você pode ser uma coisa, pra mim pode ser outra.

BP: Mas você acha que errou ao fazer aquele vídeo?
FRANCISCHINI:
Não, porque eu comecei aquele vídeo dizendo ‘eu sou deputado federal, no exercício do mandato, quero fazer uma denúncia pra que ela seja apurada’. Faltava 10 minutos para encerrar a eleição, a votação já estava às moscas. E se aquilo fosse ter impacto na minha eleição, eu não tinha feito no final, mas sim no começo do dia. Então aquilo não teve impacto nenhum na quantidade de votos que eu fiz na minha eleição e não tinha uma lei anterior [que punisse a disseminação de fake news]. E pior: a lei eleitoral tem que ser aprovada um ano antes do pleito. Então, imagina, eu fui cassado três anos depois da eleição com uma lei que não existia. Foi uma cassação política feita para criar uma jurisprudência para pegar o Bolsonaro, tanto que alguns meses depois eles fizeram a mesma coisa, deixaram o Bolsonaro inelegível, por oito anos, é a atual inegibilidade dele, e eu fui citado como jurisprudência para cassar ele, por causa daquela reunião de embaixadores que ele contestou o sistema eleitoral da mesma forma. Hoje eu estou muito mais amadurecido, as críticas são duras do mesmo jeito. Mas a forma de fazer essas denúncias eu acho que tem que ser mais formais. Eu faria por escrito essa denúncia, exigindo apuração, etc, e talvez fosse menos midiático, porque eu vi que muitas denúncias que eu fiz por escrito davam muito mais resultado em Tribunal de Contas, em abertura de processo, na própria cassação da Dilma. Eu fui um dos autores, pouca gente sabe, de um dos pedidos que foi apreciado do impeachment da Dilma.

BP: E sente falta de viver uma eleição?
FRANCISCHINI:
Sinto falta não só da eleição, mas da cobrança. Eu era um dos que eram mais cobrados, porque naquela minha época, em 2010, não existia como hoje uma bancada do PL. Em 2010 e 2014 a gente tinha 5 ou 6 deputados de oposição ao Lula e à Dilma lá no Congresso. Era o Bolsonaro, eu, Caiado, que é governador, que era deputado federal comigo, era o Coronel Fraga, que é deputado federal de Brasília. Eram poucos que eram posicionados à direita e que não se venderam para aquilo tudo que existia lá. Hoje tem bancadas de 100, 200, que o PL, União Brasil e outros são bancadas bem divididas. Eu quero voltar pra esse embate. Eu acho que quem votou em mim em outras eleições quer olhar e ter de novo uma opção de alguém que não tem papas na língua, que fala o que pensa. O pessoal fala ‘você não tem medo de ser cassado?’ Não, não tenho. Se tiver que ser cassado de novo, eu tenho a minha profissão. Eu sou delegado da Polícia Federal, cheguei no final de 33 anos de serviço para pedir uma aposentadoria de concurso público. Não vou morrer de fome. Eu tenho o meu sustento de uma carreira profissional com concurso. Se eu voltar um dia, sempre falei isso, é voltar para fazer o mesmo enfrentamento e encarar as mesmas pessoas que me cassaram. Vou fazer oposição e vou fazer sistematicamente lá na Câmara dos Deputados.


Fonte Bem Paraná

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