
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Fórmula 1 é o grande palco mundial da velocidade, e tem uma ligação muito grande com o Brasil, que tem somados oito títulos mundiais de pilotos (Emerson Fittipaldi duas vezes, Nelson Piquet três vezes e Ayrton Senna três vezes).
Mas, muitos não sabem que o Brasil já teve até um escuderia na Fórmula 1.
Entre 1975 e 1982, os irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi lideraram a Copersucar-Fittipaldi, a primeira equipe brasileira e sul-americana de Fórmula 1, com o objetivo de construir e competir com carros brasileiros no campeonato mundial.
A jornada do projeto começou no dia 12 de janeiro de 1975, no Grande Prêmio da Argentina, quando Wilson levou à pista o modelo estreante FD-01, desenhado pelo projetista Ricardo Divila.
Para impulsionar a empreitada familiar, um movimento ousado marcou a temporada seguinte. Em 1976, Emerson Fittipaldi deixou a McLaren para assumir o volante da nova escuderia, enquanto Wilson passou a comandar as operações nos boxes. Essa estratégia surtiu efeito rápido, rendendo os primeiros pontos à equipe ainda naquele ano.
A evolução inicial ganhou um importante reforço técnico em 1977. A partir do suporte de engenharia da Embraer e da contratação de David Baldwin, o carro ganhou competitividade. Emerson completou três provas na quarta posição, o que garantiu à escuderia o nono lugar no campeonato de construtores.
O amadurecimento do trabalho de engenharia culminou no resultado mais expressivo da história do time no ano seguinte. Durante o Grande Prêmio do Brasil de 1978, em Jacarepaguá, Emerson alcançou a segunda colocação com o modelo F5A. O pódio impulsionou a equipe para o sétimo lugar geral no fim da temporada, superando o desempenho da McLaren e Williams.
A transição para a década de 1980, no entanto, exigiu adaptações comerciais. Com o fim do patrocínio da Copersucar, a operação foi rebatizada como Fittipaldi Automotive e contratou o piloto Keke Rosberg. A equipe manteve o ritmo nas pistas, alcançando o pódio nas etapas de Long Beach e da Argentina. Ao término de 1980, o time brasileiro acumulou mais pontos do que Ferrari e McLaren no mundial de construtores.
Apesar dos resultados consistentes, o cenário financeiro tornou a continuidade inviável. A escalada dos custos na Fórmula 1 e a escassez de patrocínios comprometeram o desenvolvimento tecnológico nos anos seguintes. Após Chico Serra marcar o último ponto da equipe no Grande Prêmio da Bélgica de 1982, a Fittipaldi encerrou definitivamente suas atividades no final daquela temporada.
Fonte Bem Paraná