Defesa de delegado julgado no caso Marielle chama Polícia Federal de negligente

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Manifestantes se reúnem em Ato por Marielle Franco em frente à Câmara de Vereadores de Curitiba. (Luís Pedrucco_

A defesa do delegado Rivaldo Barbosa afirmou nesta terça-feira (24) que a Polícia Federal foi negligente na investigação para esclarecer a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). O caso está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda nesta terça, diversas cidades — incluindo Curitiba — fizeram atos para lembrar o crime.

Na versão da defesa de Rivaldo, houve uma suposta tentativa de proteger o ex-vereador Cristiano Girão, que chegou a ser investigado como possível mandante do crime. E criticou o depoimento do delator Ronnie Lessa, ex-PM que confessou ter matado a vereadora e o motorista Anderson Gomes.

“Não é nosso papel ficar acusando ninguém. Meu dever aqui é defender. Mas tenho que defender que existe uma linha de investigação que a PF negligenciou deliberadamente. Isso não foi levado adiante”, disse o advogado Marcelo Ferreira, nesta terça.

As defesas dos acusados no STF afirmam que o delator Ronnie Lessa protege Girão ao dizer que não o conhece. Contudo, o Tribunal de Justiça condenou no ano passado o ex-PM por um homicídio supostamente encomendado pelo ex-vereador, contrariando os termos da colaboração.

O ataque à delação do ex-PM se deve ao fato da versão ser a base de boa parte das informações sobre o planejamento do crime que constam na denúncia. Ferreira afirma que Lessa também mentiu sobre a origem e destino da submetralhadora MP-5 usada no crime.

A defesa de Girão sempre negou envolvimento no crime e atribui a acusação a uma estratégia dos advogados dos réus no STF.

Rivaldo é acusado de ter sido consultado antes do crime pelo ex-deputado Chiquinho Brazão e o irmão, Domingos Brazão, acusados de encomendar os assassinatos. O delegado teria orientado que o homicídio não fosse cometido em trajeto que tivesse a Câmara Municipal como destino ou origem. O objetivo seria dificultar o esclarecimento do caso, segundo a acusação.

O advogado Felipe Dalleprane, que também defende Rivaldo, disse que a PGR (Procuradoria-Geral da República) faz ilações sobre seu envolvimento no planejamento da morte Marielle a partir dos cargos que ele ocupou.

Durante a sustentação oral na corte, os advogados afirmaram que a acusação não apontou qualquer motivação do ex-chefe de Polícia Civil para participar da trama. Segundo a defesa, não foi comprovado casos de corrupção por parte de Rivaldo.

“Não há um ato concreto específico, uma conduta voluntária do Rivaldo. O que há é ilação a partir dos cargos que ele ocupou: delegado-chefe da DHC, diretor de Divisão, chefe de Polícia. Só que isso não é prova”, afirmou Dalleprane.

“Não há motivação direta, não há corrupção comprovada, não há ingerência confirmada, não há vantagem ilícita provada, não há testemunho confiável vinculante. Quando a presunção tenta ocupar o lugar da prova, o único resultado legal e possível é a improcedência da denúncia”, disse Dalleprane. A filha de Rivaldo disse acreditar na absolvição.

A acusação da Procuradoria diz que ficou clara a interferência de Rivaldo em investigações dentro da Delegacia de Homicídios, entre as quais a do caso Marielle, tema da segunda denúncia oferecida contra o delegado no último dia 13.


Fonte Bem Paraná

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