Hacker da Vaza Jato, preso após se aliar ao bolsonarismo, vai para o regime semiaberto

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Walter Delgatti Neto, que ficou conhecido como o “hacker de Araraquara” (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O hacker Walter Delgatti Neto, que ficou conhecido como o “hacker de Araraquara” após invadir celulares de autoridades da Operação Lava Jato, poderá cumprir o restante de sua pena de prisão em regime semiaberto. Ele foi condenado a oito anos e três meses de reclusão.

A decisão é do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Delgatti, por sua vez, está preso por invadir e inserir documentos fraudulentos no sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Entre esses documentos estavam um mandado de prisão e uma ordem de quebra de sigilo bancário contra Moraes.

Na mesma ação, a ex-deputada federal Carla Zambelli foi condenada a dez anos de prisão e à perda de mandato parlamentar. Ela é quem ordenou a prática dos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica praticados por Delgatti.

Ou seja, o hacker, depois de conseguir os arquivos que embasaram a série de reportagens da Vaza Jato e ajudaram na soltura de Lula, se aliou ao bolsonarismo, trabalhando para Zambelli.

Um quinto da pena já cumprida e boa conduta

Ao solicitar que a Corte autorizasse a progressão de Delgatti para o regime semiaberto, a defesa alegou que o hacker já cumpriu mais de 20% dos oito anos e três meses de prisão a que a Primeira Turma do STF o condenou, em maio do ano passado.

No último dia 22, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favorável à progressão de regime. De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o hacker já havia cumprido, à época, mais de um ano e 11 meses de prisão, ou o equivalente a 20% da pena, tendo, portanto, direito à progressão para o semiaberto.

“Além disso, o atestado de conduta carcerária emitido pela unidade prisional atesta que o reeducando Walter Delgatti Neto apresenta bom comportamento carcerário. Dessa forma, estão atendidos os requisitos objetivos e subjetivos exigidos para a progressão de regime prisional”, opinou Gonet ao responder ao pedido de Moraes. O ministro do STF é relator do processo de execução penal e do pedido de progressão feito pela defesa.

Hacker pode voltar à prisão

Em sua decisão desta segunda-feira, Moraes destacou que, de fato, Delgatti atende aos requisitos legais e têm direito a acessar “regimes [penas] menos rigorosos”. No entanto, ressaltou que ele voltará ao regime fechado. Isso ocorreria em caso de condenação noutro processo ou se ele vier a praticar novo crime doloso ou falta grave.

Delgatti ainda responde a outro processo por invadir as contas pessoais que autoridades públicas como o então juiz federal Sergio Moro e procuradores da República mantinham no aplicativo de troca de mensagens Telegram e, posteriormente, vazar o conteúdo das conversas obtidas ilegalmente.

A Justiça já o condenou, em primeira instância, a 20 anos de prisão. Como, neste caso, ainda cabem recursos, o hacker ainda não começou a cumprir a sentença.


Fonte Bem Paraná

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