Curitiba tem atos pró e contra a ação dos EUA na Venezuela

capa – venezuela, luis pedruco
Ato contra a ação na Venezuela (Luís Pedruco)

Curitiba teve atos pró e contra a ação dos Estados Unidos na Venezuela. Na madrugada de sábado (3), o governo de Donald Trump anunciou a ação que culminou com a prisão de Nicolás Maduro, que foi levado para os Estados Unidos.

No sábado de tarde, um grupo de migrantes venezuelanos fizeram um ato para comemorar a prisão do ditador. Eles ocuparam as escadarias do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Praça Santos Andrade, com bandeiras da Venezuela e faixas contra o governo Maduro.

Neste domingo (4), um grupo de manifestantes se reuniu nas Ruínas do São Francisco, em Curitiba, em solidariedade à Venezuela. O ato foi organizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) da capital e outros grupos defendendo a soberania dos povos da América Latina.

Ao redor do mundo também ocorreram manifestações pró e contra.

Segundo matéria da Agência Brasil, houveram atos de venezuelanos neste fim de semana comemorando a ação dos Estados Unidos em uma série de países latino-americanos e também na Espanha, em cidades como Bogotá, Lima, Quito e Madrid.

Na Cidade do México, venezuelanos e mexicanos a favor e contra a ação militar norte-americana organizaram atos em frente às embaixadas da Venezuela e dos Estados Unidos, com críticas ao intervencionismo ou celebrações de que o país estava livre de Maduro. A polícia precisou intervir para evitar o aumento da tensão entre os grupos.

Em Buenos Aires, na Argentina, movimentos sociais e venezuelanos contrários à ação protestaram no sábado, em frente à embaixada dos Estados Unidos, enquanto outro grupo se reuniu no Obelisco para comemorar a captura de Maduro.

Também houve protestos contra o ataque nos Estados Unidos, em cidades como São Francisco e Nova York, além do registro de grupos de venezuelanos que celebraram a ação.

Cerca de 20% da população da Venezuela deixou o país desde 2014, e os principais destinos foram a Colômbia, que recebeu 2,8 milhões de venezuelanos, e o Peru, que recebeu 1,7 milhão, de acordo com a plataforma R4V, um grupo de ONGs regionais que prestam assistência a migrantes e refugiados da Venezuela, criada pela agência de migração da ONU.

Há três anos na Espanha, país que recebeu 400 mil venezuelanos, Andrés Losada disse à Reuters que está lutando entre a preocupação e a alegria com a situação na Venezuela.

Segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais, são mais de 575 mil venezuelanos no Brasil, sendo cerca de 87 mil residindo no Paraná. Curitiba se destaca como principal destino no estado. Na Capital seriam quase 9 mil migrantes venezuelanos residindo.

O Paraná recebeu 377.237 migrantes vindos de outros estados brasileiros e países entre 2017 e 2022.

Forças Armadas reconhecem vice como presidente interina

Paula Laboissière – Agência Brasil

As Forças Armadas venezuelanas reconheceram no domingo a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, como presidente interina da Venezuela.

Em vídeo, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, também rechaçou a intervenção norte-americana no país e exigiu a libertação do presidente Nicolas Maduro, capturado pelo governo dos Estados Unidos. López avaliou que o ataque representa “uma ameaça global”.

“Se hoje foi contra a Venezuela, amanhã pode ser contra qualquer Estado, contra qualquer país”.

“Rechaçamos essa pretensão colonialista que se deseja implementar, sob o espírito da doutrina Monroe, sobre a América Latina e o Caribe”, disse o ministro, ao pedir ao povo da Venezuela que retome suas atividades ao longo dos próximos dias.

O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ, na sigla em espanhol) já havia decidido que Delcy Rodríguez deveria assumir a presidência interina do país, após a captura do líder Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

No sábado, diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana, Caracas. Em meio ao ataque militar, realizado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.

O ataque marcou um novo episódio de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do cartel.

O governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem a prisão de Maduro.

Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.


Fonte Bem Paraná

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