
Durante boa parte da Série B, o técnico Mozart, do Coritiba, foi chamado de “Teimozart” por parcela da torcida. Nesta quinta-feira (27), ele explicou a origem do apelido. E já começou a desenhar o planejamento para o próximo ano – ainda que, oficialmente, não tenha assinado a renovação de contrato.
“Em relação a ser teimoso, eu sou teimoso, na verdade esse apelido (Teimozart) quem colocou foi minha esposa“, disse Mozart, em entrevista à rádio CBN Curitiba. Em seguida, ele explicou o porquê do apelido. “Acredito que a convicção é tão forte naquilo que a gente acredita que muitas vezes beira teimosia. Acho que é uma característica de todos os treinadores. Tem que ter convicção. É importante, né?”
O treinador citou um exemplo de como as convicções o ajudaram. “Vamos imaginar o cenário aqui da eliminação do Maringá (no Campeonato Paranaense) e do Ceilândia (na primeira fase da Copa do Brasil). Se eu mudasse tudo, não tivesse a convicção que as coisas caminhariam com aquilo que eu acredito, provavelmente nós não estaríamos aqui falando sobre o título”.
Mozart admitiu que parte do apelido ocorreu devido à pressão que o Coritiba passou nos últimos anos – foi rebaixado em 2023 e não conseguiu subir em 2024. “Eu acredito que essa exigência é pelo histórico dos últimos anos do clube. E aí acaba que essa carga acaba caindo até sobre nós que muitas vezes nem estávamos em vários episódios negativos que aconteciam no clube”, disse o treinador, à CBN. “Ela (torcida) está um pouco mais exigente assim em relação à época que eu jogava. Tem muita informação em relação ao clube, muitas pessoas que opinam em relação ao clube”, continuou. “Entendo o torcedor, me coloco muitas vezes no lugar dele, apesar de eu achar que algumas cobranças elas são exacerbadas, principalmente em relação a alguns jogadores. Mas, enfim, faz parte do processo, nós temos que entender, ser fortes mentalmente o suficiente para poder passar por essas dificuldades”.
Tecnicamente, Mozart ainda não está garantido como treinador do Coritiba para 2026. Ele diz que fica, mas ainda não assinou nada, muito menos o clube fez um anúncio oficial. Mesmo assim, ele já falou do planejamento para o próximo ano. “(Estamos) Nos últimos detalhes, mas a princípio o campeonato começando dia 7 de janeiro e a pré-temporada dia 27 de dezembro, realmente não tem tempo hábil pra estrear”, disse ele. “Mas a princípio, o Sub-20 começaria a competição, nós só não sabemos ainda o formato e quantos jogos serão”.
Na quarta-feira (26), o head esportivo do Coritiba, William Thomas, explicou a situação do treinador. “Então, a gente tem uma relação excelente com o Mozart e a gente confia também na continuidade”, disse Thomas, em entrevista à rádio TMC. “Mas são detalhes que fazem parte de uma estruturação de contrato, de condições contratuais e também de composição da estrutura de trabalho que tem que ser discutido, tem que ser debatido”.
Treinador sai em defesa da forma de jogar e prega equilíbrio
Na entrevista, Mozart defendeu a forma de jogar do Coritiba em 2025. O time teve a defesa mens vazada da Série B, com 23 gols sofridos em 38 jogos, mas marcou apenas 39 – foi o 5º pior ataque. O treinador exaltou a parte defensiva e disse que a equipe precisa ser equilibrada.
“Ah, vem acontecendo uma transformação de 2020 para cá assim de maneira significativa assim eu considero que defensivamente o meu trabalho está muito mais sólido. É a melhor defesa do ano passado com 26 gols (pelo Mirassol), esse ano com 23”, afirmou ele, à CBN. “Porque o que eu entendo como futebol é equilíbrio, acima de tudo. Transição a todo momento, que fiquemos expostos, que qualquer situação ofensiva do adversário seja um perigo de gol. Eu particularmente não gosto desse tipo de situação”.
Para Mozart, as equipes que ele treina precisam ser sólidas “Elas precisam ser concentradas, elas precisam ser solidárias e, para mim, isso é determinante para você conquistar e prova disso que nós conseguimos conquistar de maneira coletiva”, afirmou. “Teve o Josué, que se destacou em alguns momentos, mas foi a nossa equipe como um todo, que é como eu entendo o futebol. O jogo coletivo vai estar sempre à frente do individual”.
O treinador admite que, em trabalhos anteriores – como o CSA em 2021 e o Atlético-GO em 2023 –, os times eram mais ofensivos. “Se pegar historicamente as minhas equipes, aí eu concordo que elas sempre foram mais ofensivas em relação ao coletivo de 2025”, disse ele. “O futebol é tão democrático e ainda bem que é assim, que tem várias formas de vencer”.
Fonte Bem Paraná